China recorre a lei antissanção e ordena que empresas ignorem restrições impostas pelos EUA

Empresas chinesas recorrem a transações por bancos e moedas nacionais para superar sanções de Washington na importação de petróleo (Atlatic Council)

Os americanos e seus vassalos impuseram sanções, no final do mês passado, contra empresas chinesas por fazerem comércio com petróleo iraniano e russo. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, essas empresas chinesas correspondem pela maioria do petróleo iraniano comprado pelos chineses.

Pela primeira vez, a China publicamente rejeitou sanções impostas pelos americanos. Com uma lei feita especificamente para barrar sanções estrangeiras que considerem ilegais, no sábado, o Ministério do Comércio da China instruiu para que empresas chinesas para ignorem as sanções americanas contra as cinco refinarias acusadas de comprarem petróleo iraniano.

“Essa receita, em última análise, beneficia o regime iraniano, seus programas de armas e seus militares”, disse o Tesouro americano, como se isso fosse motivo justo para as pressões de Washington.

Como a guerra iniciada pelos americanos contra o Irã se mostrou uma catástrofe geopolítica para o governo norte-americanos eles estão recorrendo novamente a sanções contra os iranianos numa tentativa de pressionar o governo do país asiático a reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo.

O governo da China e suas empresas estatais negaram que fazem comércio direto do petróleo iraniano. E dados alfandegários não registraram importações iranianas desde 2023.

Uma das empresas acusadas, a ‘Hengli Petrochemical’, um conglomerado chinês, líder mundial no refino de petróleo, negou de forma clara as alegações norte-americanas.

O governo chinês denunciou a ilegalidade das pressões dos EUA que, sob a lei internacional, tais sanções impostas sem uma mandato da ONU são ilegais. Pela lei chinesa, que foi introduzida em 2021, o governo tem o poder de impor contramedidas a empresas e indivíduos que acatarem as sanções americanas, como restrições de comércio e de investimentos.

O jornal oficial do Partido Comunista da China, o Diário do Povo, em um artigo, disse que a medida do governo da China, “usa o Estado de Direito, para combater precisamente a ‘jurisdição de braço longo’ dos EUA.”

Os chineses, críticos do uso de sanções unilaterais impostas pelos americanos, citaram interesses de soberania nacional e segurança nacional para proibirem o cumprimento das sanções americanas por empresas chinesas.

A decisão do governo da China acontece às vésperas da visita à China por Trump, prevista para ainda neste mês.

Trump deve se encontrar com o presidente Xi Jinping, em uma condição de bastante acuado, já que sua guerra contra o Irã causou um aumento nos preços do petróleo, sua aprovação nos EUA está em uma queda recorde para um presidente americano e seus aliados europeus, em várias das agressões anteriores, comparsas do imperialismo americano, agora se recusam a apoiar a guerra contra o Irã.

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