Ata do Copom usa “conflitos geopolíticos” para seguir praticando os maiores juros reais do mundo
O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (5) ata da última reunião do Copom, onde não garante compromisso com novas reduções nos juros. Na semana passada, o colegiado voltou a cortar o nível da taxa básica de juros da economia (Selic) em apenas 0,25 p.p., mantendo a economia amarrada aos juros altos.
O Brasil tem a segunda maior taxa de juros reais do planeta, de 10% a.a., após o desconto da inflação.
De acordo com a ata, “o Comitê concluiu que, para a decisão dessa reunião, a redução de 0,25p.p. na taxa básica de juros é a mais adequada”, avaliando que era “apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”.
A redução da Selic de 14,75% para 14,50% é insuficiente para mitigar os impactos das taxas elevadas, que restringem os investimentos produtivos e a demanda por bens de consumo no país. Assim como alimentam a disparada dos indicadores de endividamento e a inadimplência do país, tanto no caso das famílias como nas empresas, como destaca o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, declarou Alban, logo após o BC ter anunciado o corte na Selic.
Contudo, o BC resolveu novamente ignorar o apelo do setor produtivo ao condicionar as futuras decisões de cortes de juros a fatores externos, os quais a política monetária brasileira não pode alcançar – como os atuais desajustes na cadeia global de suprimentos de petróleo e fertilizantes, por exemplo, decorrentes da agressão dos EUA contra o Irã.
“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, diz outro trecho do comunicado. “Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica”.











