Parlamentares brasileiros acionaram a Polícia Federal denunciando a “pressão psicológica, intimidação e ameaça direta” praticada pelos “investigadores israelenses” que mostraram fotos do cotidiano da família em território nacional. Tribunal do regime de Netanyahu estende prisão de Thiago, nas masmorras de Israel, em mais seis dias
A atividade de agentes nazisraelenses agindo impunemente dentro do território nacional, em plena luz do dia, contra a família do ativista brasileiro Thiago Ávila, comprova a necessidade de medidas pelo governo brasileiro para deter a ingerência inaceitável do regime de apartheid israelense no Brasil.
As denúncias apresentadas por Thiago Ávila são contundentes e elevaram o nível de gravidade da agressão onde, durante interrogatórios na prisão de Israel, “investigadores” apresentaram imagens do cotidiano de sua esposa e filha, Tereza, – de apenas dois anos.
De acordo com a esposa do ativista, Lara Souza, “Thiago pediu que eu tome cuidado porque os investigadores israelenses mostraram fotos da nossa família no cotidiano e ele se sentiu ameaçado”. Diante do alerta, a psicóloga acionou as autoridades para agirem com rapidez, pois o abuso da família como instrumento de coação e coerção representa uma grave violação dos direitos humanos, demonstrando a completa falta de limites do regime de Israel.
FARSA MONTADA POR ISRAEL CONTRA OS DIREITOS HUMANOS
Como se não bastasse o atropelo relatado, o “Tribunal de Magistrados de Ashkelon” – inquisição montada para se contrapor às organizações de direitos humanos – aprovou uma prorrogação de seis dias na detenção dos dois ativistas. São masmorras sofisticadas, como relataram os ativistas, pois além de torturas e baixíssimas temperaturas, há luz intensa e intermitente para impedir o sono, entre outros crimes abusivos que levaram os dois a entrar em greve de fome, ingerindo apenas água. Os torturadores ameaçaram Thiago de que seria “morto” ou “passaria 100 anos na prisão”.
Thiago e Saif são acusados – em uma evidente projeção dos crimes que o próprio Israel comete – de “prestar auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com agente estrangeiro, participação de organização terrorista e prestação de serviços a ela, além de transferência de bens para uma organização terrorista”.
Thiago e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek são os dois únicos ativistas que permanecem sob custódia de Israel. Ambos estão presos desde a semana passada por tentarem contribuir com alimentos contra o cerco genocida à Faixa de Gaza, prática condenada como de crime de lesa-humanidade pelas Nações Unidas. Os demais 175 participantes da flotilha, de 22 barcos, foram transferidos por Israel para a Grécia.
No domingo, as advogadas de defesa demonstraram que o processo contra os ativistas era “falho e ilegal”, não havendo qualquer base legal para a “aplicação extraterritorial dessas infrações às ações de cidadãos estrangeiros em águas internacionais”. O comunicado da defesa assinala que essa é “uma medida retaliatória contra líderes ativistas humanitários”.
Ainda sem saber o desdobramento do caso, Thiago Ávila publicou nesta segunda-feira (4) uma emotiva carta para sua filha, que vive no Brasil com sua mãe.
Leia a íntegra da mensagem, ditada pelo brasileiro a seus advogados:
Querida Teresa,
Sinto muito por não estar em casa com você agora. Infelizmente, seu pai, sua mãe e tantas pessoas ao redor do mundo entenderam a tarefa histórica que temos a responsabilidade de cumprir.
Hoje, mais de um milhão de crianças estão sofrendo um genocídio, sendo levadas à morte pela fome, sendo amputadas sem anestesia e sofrendo com ideias horríveis e cheias de ódio, mesmo sem saber o que são sionismo e imperialismo.
Tenho certeza de que você sente muita saudade de mim, e todos os pais e mães de crianças palestinas também sentem muita saudade delas e dariam qualquer coisa para viver uma vida de amor, felicidade e alegria que todo ser humano merece, independentemente de raça, religião, etnia ou qualquer outra característica.
O seu mundo será mais seguro porque muitos pais decidiram dar tudo para construir esse mundo melhor para você.
Espero que um dia você entenda que, por eu te amar tanto, não havia nada mais perigoso para você e para outras crianças do que viver em um mundo que aceita o genocídio.
Por favor, lembre-se do seu pai como a pessoa que cantava para você e tocava violão para você dormir.
E, quando você crescer, sua mãe também contará que seu pai foi um revolucionário e que, mesmo enfrentando as pessoas mais horríveis vivas -Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir – ele permaneceu firme na crença de construir um mundo melhor.
Por favor, não se esqueça da Palestina!
Com todo o meu amor,
Thiago Ávila










