PF prende deputado com patrimônio 700% maior sob suspeita de fraudes na Educação do RJ

Deputado Rangel junto ao bolsonarista Rodrigo Bacellar, preso acusado de vínculo com o Comando Vermelho - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso nesta terça-feira (5) pela Polícia Federal (PF) após ter ampliado o próprio patrimônio em 700% em apenas dois anos, de acordo com declarações feitas por ele mesmo à Justiça Eleitoral. O parlamentar está entre os alvos da 4ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga fraudes envolvendo compras de materiais e contratos de reforma na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).

Natural de Guarus, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Thiago Rangel Lima tem 39 anos e se apresenta como empresário do setor varejista. Antes de ingressar na política, em 2014, trabalhava como motorista, com salário de R$ 1 mil, segundo as investigações.

A trajetória eleitoral começou em 2020, quando conquistou uma vaga na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes. Naquele momento, declarou possuir R$ 224 mil em bens, incluindo dois veículos, uma participação de R$ 60 mil em um posto de gasolina e uma moto aquática. Durante o mandato como vereador, ganhou projeção ao participar da criação do programa de transferência de renda Cartão Goitacá.

Antes disso, também ocupou funções na administração pública estadual, passando pela Superintendência Regional do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-RJ) e pela Diretoria de Fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ). Em 2022, foi eleito deputado estadual com 31,1 mil votos.

No campo familiar, Rangel é pai da vereadora Thamires Rangel (PMB), eleita em 2024 aos 18 anos, tornando-se a mais jovem do país naquele pleito. No mesmo ano, ela chegou a assumir o cargo de subsecretária adjunta de Ambiente e Sustentabilidade no governo estadual, mas foi exonerada nesta terça-feira pelo governador Ricardo Couto.

O nome de Thiago Rangel já havia aparecido anteriormente em investigações da Polícia Federal. Em 2024, ele foi alvo da Operação Postos de Midas, que apurava um esquema de lavagem de dinheiro em Campos dos Goytacazes. Segundo a PF à época, o grupo investigado utilizava postos de combustíveis para ocultar valores obtidos por meio de contratos públicos supostamente fraudulentos e com sobrepreço. As apurações indicavam que o esquema estaria em funcionamento desde 2021, com participação de empresas ligadas ao deputado. Na ocasião, ele negou qualquer irregularidade e declarou confiar que a Justiça esclareceria os fatos.

Agora, na nova fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal aponta indícios de ligação do parlamentar com um esquema semelhante, desta vez relacionado a contratos dentro da rede estadual de ensino. A ação desta terça-feira incluiu o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades do estado.

De acordo com os investigadores, os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Até a última atualização, a defesa de Thiago Rangel não havia se pronunciado sobre a prisão no âmbito da nova operação.

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