Em março, o setor cresceu apenas 0,1% em relação a fevereiro (0,9%). Indústria de transformação recuou -0,1%, segundo IBGE
Após dois meses de crescimento, a produção industrial brasileira voltou a ficar estagnada em março de 2026, segundo observou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Em março deste ano, a variação, descontados os efeitos sazonais, foi de apenas 0,1% na comparação com janeiro, quando cresceu 0,9%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira (7).
“A desaceleração do setor foi puxada pelos ramos de bens de capital e de intermediários. No acumulado do 1º trim/26, um efeito calendário positivo em mar/26 retirou a indústria como um todo do vermelho, mas a produção de bens de capital, afetada pelos juros elevados, ficou para trás”, ressalta o Iedi.
As indústrias de transformação, que correspondem por mais de 80% do total da indústria, já demonstram novamente perda de força. Em março, caiu -0,1% na produção ante fevereiro (1%). Em janeiro de 2026, a alta foi de 2,3%, após três meses de péssimos resultados (out, – 0,3%; nov, 0,1%; e dez, – 2,5%), prejudicado pelo prolongamento da taxa de juros (Selic) em níveis elevados (hoje, em 14,50%) do Banco Central (BC), que desestimula os investimentos produtivos em prol das aplicações financeiras.
Na passagem de fevereiro para março de 2026, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram quedas de rendimento na produção, com destaques para bebidas (-2,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,9%), que exerceram as principais influências na média da indústria, com a primeira interrompendo três meses consecutivos de avanço na produção, período em que acumulou crescimento de 8,5%; e a segunda intensificando a magnitude de queda registrada em fevereiro de 2026 (-2,3%).
Outros resultados negativos vieram de móveis (-6,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,1%), produtos alimentícios (-0,5%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,9%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,3%), produtos de madeira (-4,4%), produtos de borracha e de material plástico (-1,1%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,3%).
Entre as atividades que marcaram resultados positivos, destaca-se: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,2%) e produtos químicos (4,0%).
Das quatro grandes categorias econômicas industriais, três mostraram clara perda de ritmo de crescimento entre janeiro e março de 2026.
Bens de capital cresceu em janerio +3,0% (ante a queda de -8,4% em dezembro de 2025) para altas de +2,8% em fevereiro e +0,6% em março; Bens intermediários, de 2,4% (ante a queda de -2,0% em dezembro de 2025), para +1,2% e +0,5% – na mesma ordem.
Por sua vez, a produção de Bens de consumo semiduráveis e não duráveis registrou crescimento de +1,3% em janeiro (ante a queda de -0,7% em dezembro de 2025) desacelerou +0,6%, em fevereiro e 0,4% em março. Bens de consumo duráveis, de +6,8% (ante a queda de – 5,1 % em dezembro de 2025) para +1,2% em fevereiro e +1,7% – na mesma ordem.
Em relação a março de 2025, o total da indústria cresceu 4,3%, após recuar -0,7% em fevereiro e registrar alta de 0,2% em janeiro de 2026, quando interrompeu três meses consecutivos de queda na produção: dez (-0,1%), nov (-1,4%) e out de 2025 (-0,4%).
O IBGE destacou que em março, na comparação com o mesmo mês do ano passado, bens de consumo duráveis teve uma expansão de 18,7%), a mais acentuada entre as grandes categorias econômicas. Os setores produtores de bens de capital (6,5%), bens de consumo semi e não duráveis (4,6%) e bens intermediários (2,9%) também mostraram taxas positivas neste mês, com os dois primeiros avançando acima da média da indústria (4,3%) e o último registrando o crescimento mais moderado.
“O setor produtor de bens de consumo duráveis, ao mostrar expansão de 18,7% em março de 2026 frente a igual mês do ano anterior, interrompeu quatro meses consecutivos de queda e marcou a taxa positiva mais elevada desde novembro de 2024 (19,2%)”, diz André Macedo, gerente da pesquisa. “Neste mês, o setor foi impulsionado, em grande medida, pela maior fabricação de automóveis (38,9%). Também foram relevantes os avanços registrados por eletrodomésticos da “linha marrom” (15,8%) e da “linha branca” (12,7%), motocicletas (34,7%) e pelo grupamento de móveis (11,4%). Contudo, o principal impacto negativo foi assinalado pelo grupamento de outros eletrodomésticos (-22,3%)”.
No acumulado do ano, a produção industrial registra alta de 1,3% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Nos últimos 12 meses, marca alta de apenas 0,4%.











