Os professores da rede municipal de ensino de São Paulo decidiram permanecer em greve após a prefeitura encaminhar à Câmara Municipal projeto de lei (PL) que dispõe sobre reajuste salarial que não atende às reivindicações da categoria. Os professores estão em greve desde o dia 28/4.
De acordo com o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPPEM), o PL “não apresenta nenhuma alteração em relação à minuta do protocolo de negociação encaminhada ao SINPEEM, SEDIN e ao SINESP, que compõem a Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc)”.
Na manhã de ontem (6), milhares de profissionais da educação seguiram em passeata pela Avenida 23 de Maio, seguindo até a Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, “para denunciar à população a situação de colapso na qual a educação municipal se encontra e mostrar ao prefeito Nunes que a educação não se calará e continuará lutando por seus direitos e reivindicações”, ressalta a entidade.
A proposta de reajuste apresentada pelo prefeito Ricardo Nunes é de 3,51% para todos os servidores, sendo 2% em maio de 2026 e 1,48% em maio de 2027.
“A prefeitura está oferecendo 3,51% quando a inflação é de 3,94%. Os servidores reivindicam 9,3% que é o crescimento da receita prevista pelo orçamento municipal”, afirma o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep).
O Sindsep denuncia ainda que a prefeitura está aumentando a quantidade de servidores sem concursos na Educação. “Antes, a lei dizia que era até 5%, e ele era obrigado a chamar concurso. Ele mudou para 20%. E agora aumentou para 30% no PL, para não precisar ter concursos. Professores contratados (“precários”) não possuem carreira (evolução salarial) e têm muito mais chance de serem perseguidos em caso de mobilização sindical”, apontou.
Segundo o Sindicato dos Profissionais em Educação, além da questão salarial, “no PL não consta sequer um item relativo às condições de trabalho (aumento dos módulos, inclusão, ampliação da rede direta, redução do número de alunos por sala/ turma/ agrupamento, entre outras reivindicações)”.
“Indignada com o descaso e desrespeito do governo Nunes com a educação municipal e com os seus profissionais, em assembleia, a categoria decidiu manter a greve, intensificar o movimento e realizar manifestação e assembleia em 13/05, às 14 horas, em frente à Prefeitura”, informa o SINPPEM.
O sindicato explica que, além de não atender às questões econômicas apresentadas pela Coordenação das Entidades, o projeto inclui artigo sobre transformação opcional do professor de educação infantil (PEI) em professor de educação infantil e ensino fundamental I (Peif), o que é considerado pelas entidades uma desvalorização da carreira do magistério.
Conforme o presidente do SINPEEM, Claudio Fonseca, essa tentativa de “sedução” do governo é para colocar parte dos profissionais de educação contra o movimento da Coeduc, que luta para manter direitos e carreiras.
“Não vamos fazer o jogo do governo, que quer terceirizar a educação, passando tudo para as entidades parceiras. A Coeduc não aceita esta transformação e vamos orientar os professores de educação infantil a não fazerem esta opção, que acaba com a carreira. Queremos sim, concursos periódicos para o preenchimento dos cargos vagos de PEI, garantia de efetividade e construção de CEIs com gestão da rede direta. Não permitiremos que a Prefeitura entregue a educação para a iniciativa privada” destacou o presidente.











