Ele queria que Ciro Nogueira fosse seu vice. O senador recebia R$ 500 mil de Vorcaro todo mês. Sem saber o que fazer, Flavio Rachadinha resolveu atacar o governo. Está com muita raiva da ação da Polícia Federal
Completamente abalado com o escândalo envolvendo a mesada de R$ 500 mil, descoberta pela Polícia Federal, do Banco Master para abastecer o senador Ciro Nogueira, seu vice preferido, Flávio Bolsonaro tentou tirar o corpo fora do escândalo divulgando vídeos com ataques ao governo e ao PT.
Tentou cinicamente jogar o escândalo no colo do governo e dizer que é a favor da CPI do Banco Master. Só que a PF já descobriu que o esquema político de Daniel Vorcaro era Ciro Nogueira, seu aliado e seu vice predileto. Ele disse várias vezes, em entrevistas que circulam pela internet, que Ciro Nogueira tinha “todas as credenciais” para disputar como vice-presidente em uma chapa com o PL.
A operação que flagrou o conluio criminoso entre o aliado de Flávio e o banqueiro ladrão foi uma fase da Compliance Zero, que investiga os crimes financeiros e de corrupção cometidos pelo dono do Banco Master. Em sua quinta fase, a Polícia Federal detectou conversas que comprovam que Ciro Nogueira recebia quantias milionárias mensalmente de Daniel Vorcaro. O STF autorizou que busca e apreensão fossem feitas em endereços ligados ao senador.
Outros bolsonaristas, como Ibaneis Rocha, Cláudio Castro, Tarcísio de Feitas e Níkolas Ferreira já estavam sendo investigados por envolvimentos de todo o tipo com o Banco Master. Só Ibaneis tirou R$ 12 bilhões do BRB para comprar uma carteira de investimentos falsa de Vorcaro.
A ação da Polícia Federal da quinta-feira (7) revelou que Ciro Nogueira recebia mesada de até R$ 500 mil de Vorcaro, além de ter ganhado do banqueiro estadias em hotéis de luxo e refeições em restaurantes caros. O escândalo foi uma bomba na campanha bolsonarista. Tanto que Tarcísio e Flávio cancelaram evento de segunda-feira (11) com a presença de Ciro Nogueira.
Eles sabotaram de todas as formas possíveis a investigação do Master e agora, com a mesada de Ciro Nogueira vindo à tona, Flávio Bolsonaro tenta disfarçar e sai atirando contra o governo. Ele passou a defender cinicamente a criação de uma CPI para investigar o caso Master. Disse que “a CPI do Banco Master precisa sair no papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade”. Só que seus aliados fizeram de tudo para barrar a CPI.
Deputados e senadores têm se movimentado desde abril para que se crie uma CPI do Master, mas a bancada bolsonarista barrou a sua instalação. Em 30 de abril, as deputadas Heloísa Helena (Rede-SP) e Fernanda Melchiona (PSOL-RS), de partidos aliados ao governo Lula, protocolaram na Câmara um pedido para criar a CPI. No Senado, a CPI do INSS tentou avançar sobre temas do Master, e senadores da oposição, aliados de Flávio Bolsonaro, não deixaram.











