Por iniciativa do Consulado Geral da Federação da Rússia em São Paulo, com o apoio do deputado Mário Maurici foi realizada uma solenidade, com lideranças da comunidade russa em São Paulo, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), para homenagear os que combateram e sua vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial.
Aquela que os russos denominaram de Grande Guerra Patriótica, teve seu fim vitorioso no dia 9 de maio de 1945. Hoje as ruas e praças centrais da Rússia ficam lotadas para celebrar o feito, na Alesp a solenidade aconteceu nesta segunda-feira, dia 4 de maio.
Seguem as intervenções na solenidade:
Embaixador da Federação da Rússia no Brasil, Alexey Labetsky
Ao celebrarmos a grande vitória acontecida há 81 anos, estamos falando desta vitória dos povos da União Soviética e de todos os povos do mundo, mas também precisamos falar do preço que os povos e forças progressistas pagaram para vencer o fascismo e tudo de grave que foi gestado na Alemanha nazista contra as bases da civilização humana e da filosofia humanitária.
Esse preço foi grande e significativo. Cada família russa, inclusive a minha, teve alguém que perdeu a vida nos campos de batalha de 1941 a 1945.
Na minha família, perdemos o meu tio, que não cheguei a conhecer. Irmão de meu pai. Ele foi abatido defendendo a Leningrado sitiada, hoje São Petersburgo. Caiu em 1943.
A cada ano nos lembramos dele, de seu legado.
Por tudo isso, é muito importante sempre lembrar daqueles anos heroicos que nos permitiram a libertação do fascismo.
Em especial, lembrar destes feitos junto com nossos irmãos brasileiros, pois o Brasil foi o único país latino-americano a enviar um corpo expedicionário para combater os nazistas na Itália.
Essa memória de combate conjunto nos une hoje quando as forças do nazismo, do colonialismo, do racismo, estão erguendo a sua cabeça em alguns países onde se voltou a glorificar os adeptos do nazismo alemão-italiano. Quando esses adeptos do fascismo são proclamados como heróis nacionais.

A Rússia e os demais países que formaram a União Soviética a exemplo do Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia, entre outros, não aceitarão estes absurdos.
Enquanto os neofascistas, os neocolonialistas tentam inserir na sociedade, moderna a desigualdade baseada no racismo e nos restos do colonialismo a cada ano nos lembramos da vitória que custou muito aos povos da URSS e por isso nesse dia buscamos unir a todos os povos, os russos, os cazaques, azerbaijanos e brasileiros.
Especialmente todos os combateram e nos lembramos que foi o combate conjunto que resultou na vitória, quando no mundo aparecem forças que tentam se nutrir do ataque colonial, em contrariedade aos interesses dos povos do Sul, dos países em desenvolvimento, que lutam para fortalecer sua identidade nacional, a exemplo do Rússia e do Brasil.
Muito obrigado. A vitória sempre será nossa!
Deputado Mário Maurici:
Com relação aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, prevalece uma narrativa que atribui o protagonismo dessa vitória principalmente aos Estados Unidos, mas é importante reconhecer o papel fundamental da União Soviética na vitória sobre o nazismo.
Foi no front oriental que se deram as batalhas mais duras da guerra com um custo humanitário imenso, com milhões de vidas perdidas.
Quando falamos do Dia da Vitória, estamos falando também deste reconhecimento.
Com a exposição de imagens da Segunda Guerra que inauguramos hoje no salão nobre ampliamos o conhecimento sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes do Século XX.

Ilya Zakharov – vice-cônsul da Rússia em São Paulo:
Estamos comemorando a vitória na Grande Guerra Patriótica. Na Rússia, este dia tem um duplo sentido. De um lado, a alegria, orgulho pelo fato de que o povo conseguiu vencer e libertar o mundo do monstro chamado fascismo.
Por outro lado, lembramos o preço que pagamos por isso, 25 milhões de vidas, de cidadãos soviéticos perdidas para garantir a vitória sobre o fascismo.
Hoje temos que reverenciar os feitos militares e trabalhistas dos veteranos.
Devemos lembrar também que, do outro lado do mundo, o Brasil lutou, do nosso lado, através da Força Expedicionária Brasileira.
Hoje muitos falam que vivemos tempos difíceis, mas, com certeza, não são mais difíceis que aqueles da 2ª Guerra. No entanto, temos que seguir lutando e perseverando por um mundo melhor para nossos filhos, netos e bisnetos.
A Rússia e o Brasil podem e devem dar continuidade a esse legado.
Luan Sinclair – Presidente da organização Jovens Compatriotas Russos:
Pensando nos acontecimentos que levaram a esta guerra, é preciso trazer os grandes feitos humanos à memória, o que é necessário para deter comportamentos que não condizem com a devida reverência ao que realmente se passou.
Na internet é difícil encontrar referências a esta verdade, tive que buscar muito para encontrar imagens da ação brasileira daquele período. Poucas imagens existem, acerca das jornadas da FEB, enquanto que há uma profusão de imagens se buscamos, por exemplo, pela história do soldado Ryan.
Isso não acontece na Rússia onde há um esforço de resgate dessa memória com atividades nas escolas e praças. Por isso somos gratos ao deputado Maurici por esta importante iniciativa.
Secretária Municipal de Relações Internacionais, Ângela Gandra:
Qualquer um de nós quando escuta a informação de que uma guerra acabou, vibra de alegria e satisfação, ainda que ninguém pode esquecer as vidas perdias na 2ª Guerra.
A Rússia é uma civilização que se destaca pela elevada cultura e arte que foi capaz de desenvolver. Eu senti isso de forma muito clara quando assisti a uma apresentação do balé Bolshoi.
Quando, em uma solenidade como esta, lembramos desse conflito, vale refletirmos sobre vivência na cidade de São Paulo, a cidade de todos os povos que sabem aqui conviver em paz.
Isso tem por base o respeito pelas pessoas, pelo desenvolvimento do apreço à paz e à liberdade.
Temos que trabalhar juntos por um mundo de inclusão; em especial abraçar toda oportunidade de reforçar a amizade Rússia-Brasil.
Tamara Gerz Dimitrov – Presidente da organização dos Compatriotas Russos no Brasil:
Sou nascida aqui e educada pelos meus pais e avós no reconhecimento da história da Rússia pelos meus pais e avós que nos ensinaram a verdadeira história sobre a guerra e através deles travamos intenso contato com a nossa cultura. Meu pai insistia em passar valores, visão e memória às crianças.
Ele insistia em um dos aspectos de seus ensinamentos, a valorização da relação Brasil-Rússia e de que nós só temos a agradecer a acolhida proporcionada por este país e este povo à comunidade russa.
Entre as lideranças presentes, destacamos Marcelo Buzetto, coordenador do Movimento dos Sem Terra em São Paulo; Aníbal Ortega, assessor cultural da Associação José Marti, em Santos; Henrique Domingos, secretário da Juventude da Central de Trabalhadores do Brasil (CTB); Jorge Vidino, cônsul da Venezuela em São Paulo e Danilo Kozemekin, diretor da organização Jovens Compatriotas Russos.
NATHANIEL BRAIA
Veja o vídeo com o evento na Alesp:











