Lucro líquido dos três maiores bancos no Brasil soma R$ 22,9 bilhões no primeiro trimestre
O lucro líquido dos três maiores bancos privados no Brasil – Itaú, Bradesco e o espanhol Santander – somou R$ 22,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O Itaú com R$ 12,3 bilhões no período aumentou seu resultado em 10,6% sobre o primeiro trimestre de 2025. O Bradesco assinalou o maior crescimento do lucro nessa mesma base de comparação aos 16,1% correspondentes aos R$ 6,8 billhões de lucro obtido. O Santander registrou lucro de R$ 3,8 bilhões.
A manutenção da Selic, taxa de juros básica da economia, fixada pelo Banco Central, foi determinante para esses resultados. Sua manutenção nas alturas dos 15%, mesmo com os insignificantes recuos de 0,25 ponto percentual, em março e abril deste ano, deram sustentação as demais taxas de juros da economia, remunerando as aplicações nela referenciadas (grande parte delas) a uma taxa de juros reais (descontada a inflação) de 10% ao ano.
De um lado essa condição inibe o investimento privado, afinal ter garantido 10% de rentabilidade, apenas por alguns cliques é muito vantajoso financeiramente, sem ou com muito pouco risco, que sustentar um investimento, por exemplo, numa fábrica, com todas as responsabilidades de uma operação industrial.
É inescapável relacionar esse custo escorchante do crédito bancário com uma das situações mais dramáticas por que passa a economia no momento. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em março, o endividamento das famílias brasileiras alcançou 80,4% dos lares. E, o percentual de famílias inadimplentes está em 29,6%.
É especialmente grave que isso venha ocorrendo em uma situação onde o desemprego está relativamente baixo e a renda média dos brasileiros, segundo o IBGE, no valor de R$ 3.367,00 em 2025, um recorde, mas ainda baixa e corroída pelos juros lunáticos impostos pelos bancos.
Com as taxas exorbitantes praticadas, o retorno sobre o patrimônio dos três bancos no primeiro trimestre veio em níveis extraordinários. O Itaú fixou-se em 24,48%. O Bradesco em 15,8% e o Santander em 16%.
No caso mais expressivos do Itaú, se anualizamos o retorno nesse patamar. Para cada R$ 100.000.000,00 de patrimônio líquido (capital próprio) investidos na empresa, ela gerou, no ritmo do 1T, R$ 24.800.000,00 de lucro líquido. Nesse nível de ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) em menos de quatro anos, o capital próprio dos acionistas, poderia dobrar.











