Flávio Bolsonaro representa milícias e crime organizado buscando chegar ao poder no Brasil

Flávio Bolsonaro, Adriano da Nóbrega e Jair Messias (reprodução)

Há ligações comprovadas dele com as milícias e facções. A sabotagem do bolsonarismo à Lei Antifacção e à PEC da Segurança, de Lula, é a prova cabal desta cumplicidade

O governo Lula tomou medidas importantíssimas para combater a criminalidade no país nos últimos tempos. Centenas de operações da Polícia Federal prenderam chefes de facções, desmantelaram quadrilhas e recolheram milhares de armas, assim como foram confiscadas toneladas de drogas que entram ilegalmente no país.

AÇÃO CONJUNTA

O governo brasileiro recentemente também tomou a iniciativa de propor ao governo dos Estados Unidos uma ação conjunta dos dois países para barrar o tráfico de armas – vindas dos EUA – que abastece a bandidagem, das drogas, que entram ilegalmente no país, e a lavagem de dinheiro do crime, que usa estados americanos para esconder o dinheiro lavado. Vários exemplos foram dados a Trump na conversa com o presidente Lula.

O líder brasileiro enviou ao Congresso Nacional, aprovou e promulgou, a Lei Antifacção, endurecendo a repressão e aumentando as penas de vários tipos de crimes. Sancionou também a lei que amplia o tempo de prisão para roubo de celulares e golpes financeiros aplicados pela internet, crimes que estão infernizando a população brasileira.

O presidente enviou também a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, para permitir maior presença da União, em coordenação com os estados, nas ações de combate ao crime organizado. E, neste domingo (10), anunciou recursos de R$ 11 bilhões para o combate à bandidagem no Brasil.

GOVERNOS BOLSONARISTAS E O CV

No entanto, todos sabemos que a Constituição dá aos governadores a primazia e a responsabilidade central na condução da política de Segurança Pública nos estados. E estes estados estão controlados pela oposição que sabota de todas as formas possíveis as iniciativas do Planalto e não dá prioridade ao combate ao crime.

Os bolsonaristas, que comandam os principais estados do Brasil, não só abandonaram a população a mercê dos bandidos como alguns deles estão agindo junto e acumpliciado com organizações criminosas e milicianos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o governador bolsonarista cassado e afastado pela Justiça, Cláudio Castro, tinha como vice nada menos do que o meliante Rodrigo Bacellar, preferido por Flávio para suceder Castro, e que está preso por ligações com o Comando Vermelho.

Flávio Bolsonaro e Rodrigo Bacellar, preso por ligações com o Comando Vermelho (divulgação)

Flávio Bolsonaro é outro. Escalado para substituir o presidiário Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe, na eleição presidencial, tinha Rodrigo Bacellar como grande aliado e era seu candidato a suceder o governo do estado. Flávio indicou também nomes ligados ao Comando Vermelho para cargos no governo do Rio. Eram eles, Alessandro Pitombeira Carracena, para a Secretaria de Esportes e Gutemberg Fonseca para a Secretaria de Defesa do Consumidor. Os dois foram presos por ajudarem o Comando Vermelho a escapar de operações da PF.

SÃO PAULO E GOIÁS ACOBERTAM PCC

São Paulo é outro exemplo de abandono da Segurança. É o campeão de roubo de celulares e de assassinatos de mulheres. Não há segurança em nenhuma grande cidade do estado. O governador, ao invés de combater o crime, fortalece as facções criminosas, particularmente o PCC.

O ex-Secretário de Segurança do estado, Guilherme Derrite, foi mandado pelo governador Tarcísio de Freitas para o Congresso Nacional para sabotar a Lei Antifacção do governo Lula. Ele, como relator do projeto, fez de tudo para enfraquecer a ação da Polícia Federal. Queria impedir que a PF agisse nos estados sem autorização dos governadores, muitos deles, os próprios investigados. Atrapalhou a apreensão de bens dos bandidos. Felizmente, o Senado derrubou as ações pró-crime de Derrite e Tarcísio.

Agora, mais recentemente, outro bolsonarista, Ronaldo Caiado, de Goiás, aparece também ligado às facções. O empresário Adair Meira, preso na semana passada em Goiânia durante operação conjunta das polícias civis de Goiás e São Paulo por ligação com um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC, mantém contratos milionários firmados durante a gestão do governador Ronaldo Caiado em Goiás.

A Fundação Pró-Cerrado, presidida por Meira, possui atualmente quatro contratos ativos com o Governo de Goiás que somam R$ 141.509.831,63, assinados entre 2021 e 2025 para prestação de serviços terceirizados.

As investigações apontam que Meira teria atuado como um dos principais interlocutores de João Gabriel de Mello Yamawaki, preso em 2024 e identificado pela Polícia Civil de São Paulo como operador do 4TBank, instituição apontada como ligada à facção criminosa. Conversas obtidas a partir de celulares apreendidos teriam revelado negociações envolvendo movimentação de recursos considerados suspeitos.

FALÊNCIA NA SEGURANÇA

O que se observa é que esse comportamento dos governadores bolsonaristas e a intimidade com as milícias e a criminalidade é o que está provocando a falência generalizada na segurança pública e um abandono das polícias nos principais estados do país. Os governadores deixam a bandidagem solta e impune. A população vem mostrando a sua insatisfação contra isso em várias pesquisas de opinião.

Esta falência na área de segurança dos governos bolsonaristas ficou patente no resultado da pesquisa divulgada neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo mostra que 61,4% dos brasileiros afirmam que o crime organizado exerce influência moderada ou forte sobre as decisões e regras de convivência de seu bairro. (Veja gráfico abaixo).

O estudo confirma ainda que mais da metade da população tem medo, principalmente, dos crimes cotidianos provocados por criminosos e milicianos que vivem em seu bairro ou comunidade e que não estão sendo combatidos. O Estado não está presente. Os bolsonaristas fazem ações barulhentas, mas não resolvem os problemas. Muitas vezes até pioram, através de suas chacinas. A sociedade não está satisfeita com o comportamento dos governadores bolsonaristas, principais responsáveis pela Segurança Pública no país.

FLÁVIO E AS MILÍCIAS

Outro exemplo são as ligações de Jair e Flávio Bolsonaro com milicianos no Rio de Janeiro. Adriano da Nóbrega era chefe da milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Adriano era um assassino profissional, criou o “Escritório do Crime”, uma espécie de central de assassinatos por encomenda. Pois bem, Jair e Flávio eram amigos íntimos e apoiadores de Adriano. Flávio, quando era deputado no Rio, contratou a mãe e a mulher do assassino como funcionárias fantasmas de seu gabinete.

Flávio Bolsonaro lavava dinheiro para a milícia de Adriano através da rachadinha de seu gabinete. Ele homenageou o assassino profissional com a medalha Tiradentes, maior honraria do Rio de Janeiro. Entregou pessoalmente a medalha na cadeia ao assassino que estava preso pelo assassinato de um “flanelinha”. Jair Bolsonaro discursou na tribuna da Câmara em defesa do assassino.

Há quem diga que a candidatura de Flávio Bolsonaro, além de representar o servilismo mais vil e invertebrado aos interesses espúrios dos Estados Unidos no Brasil, representaria também, caso se viabilizasse, a tentativa de chegada das milícias e do crime organizado ao poder no Brasil. É importante que se leve isso em consideração. É o fascismo e o crime organizado caminhando juntos. É contra esse tipo de gente que o país está lutando.

SÉRGIO CRUZ

Leia mais

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *