Vereadores bolsonaristas provocaram estudantes durante ato da USP: “Eu pago sua faculdade, seu bosta”

Estudantes reagiram à provocações dos bolsonaristas - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Vereadores da extrema-direita provocam estudantes em manifestação pacífica das estaduais e geram confusão, nesta segunda-feira (11). Os estudantes estão em greve em defesa de mais investimento em permanência estudantil, melhorias na estrutura universitária e abertura de concurso para professores.

O ato desta segunda-feira ocorreu na Praça da República depois que a Polícia Militar desocupou a reitoria da Universidade de São Paulo. Os vereadores envolvidos foram Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil. Adrilles é aquele comentarista da Jovem Pan demitido por fazer um gesto nazista durante discussão ao vivo.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver Rubinho Nunes (União Brasil) chutando um estudante caído no chão, enquanto um outro homem tenta contê-lo. Em outro vídeo, é possível ver Rubinho Nunes recebendo um soco no rosto.

Em outro vídeo, publicado pelo próprio vereador, fica clara a provocação de Rubinho Nuenes cotnra os estudantes. Nas gravações, o parlamentar aparece dirigindo ofensas aos participantes do ato.

“Vai estudar, seu vagabundo, seu bosta, eu pago tua faculdade”, afirmou em um dos registros.

“Então, de um lado a gente tem quem defende a educação de qualidade, educação pública gratuita e de qualidade, um salário melhor para o professor, mais ciência, mais saúde, enfim, mais permanência para os estudantes, desenvolvimento para o Brasil, mais dignidade para o povo brasileiro. Do outro lado, quem é totalmente contrário a isso, quem quer calar os estudantes, os aliados de Tarcísio de Freitas, a extrema-direita”, disse Guilherme Lucas, diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), também presente no ato.

Neste domingo (10), ocorreu a recente desocupação violenta da reitoria da USP pela Polícia Militar. Segundo denunciou o Diretório Central dos Estudantes da instituição, o DCE Livre da USP, a ação foi “abusiva eivada de ilegalidade”, por não ser embasada em determinação judicial.

A paralisação começou com a greve dos funcionários, motivada pela aprovação de uma gratificação apenas para os professores. Após a reitoria concordar em conceder uma gratificação também aos funcionários, os estudantes, que haviam entrado em paralisação em solidariedade a eles, decidiram manter a greve.

Os estudantes passaram a reivindicar, sobretudo, mais verbas para a permanência estudantil, abrangendo áreas como moradia estudantil e bolsas, garantindo condições de permanência para alunos de baixa renda.

“É inadmissível que os estudantes continuem a encontrar larvas nos seus bandejões e que seus restaurantes universitários estejam sendo sucateados e dados de mão beijada à iniciativa privatizada. É inaceitável que os estudantes demorem um mês para começar suas aulas porque não tem contratação de professores. É inaceitável que as bibliotecas e laboratórios das melhores universidades do país alaguem quando chove, como foi o caso, por exemplo, do próprio Instituto de Química. É inadmissível que parlamentares eleitos pelo voto popular se mobilizem não para resolver esses problemas, mas para tentar calar quem os denuncia”, disse Magu Haddad, diretora de Ciência e Tecnologia da União Nacional dos Estudantes (UNE), presente no ato.

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