Valdemar não abre mão de Ciro Nogueira, o senador do Master, do palanque bolsonarista

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto (Foto: Marcello Casal Jr - Agência Brasil)

Valdemar Costa Neto, o presidente do PL, em entrevista concedida hoje (12) à CNN, afirmou que o palanque de Flávio Bolsonaro à Presidência da República continuará aberto à presença do senador Ciro Nogueira, personagem central dos escândalos envolvendo o Banco Master que vieram à tona na última semana.

Valdemar, sendo Valdemar, mais uma vez, não se fez de rogado e afirmou em alto e bom som:

“Hoje ainda queremos [Ciro no palanque de Flávio]. Por que não? Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele”, disse.

O fato de Ciro ter sido alvo de busca e apreensão durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, envolvendo as tenebrosas transações do Master, não foi suficiente para tirar Ciro do palanque de Flávio, muito menos a mesada revelada pela Polícia Federal (PF) de R$ 500 mil, e os jantares e hotéis de luxo pagos com o cartão de crédito bancado por Daniel Vorcaro.

O fato do senador ter encaminhado no Senado Federal um texto, denominado de “emenda Master” (Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023), para alterar o limite de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, de modo a beneficiar Vorcaro, também não tem relevância para Valdemar.

À época, como já foi divulgado, Vorcaro chegou a celebrar com um interlocutor o momento da apresentação da emenda, mencionando o nome de Ciro.

“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro [sic]! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro à época.

O projeto era visto como essencial para o banco, uma vez que a instituição utilizava o FGC como parte de seu modelo de negócios. Os ativos oferecidos pelo Master eram atrativos aos investidores por apresentarem uma promessa de rendimentos acima da média e a garantia do fundo como segurança da aplicação.

Depois disso tudo, nas redes sociais circulou um ‘meme’ que resumiu, em forma jocosa e anedótica, a relação entre o senador e o banqueiro:

“Se entendi bem, o Ciro Nogueira vivia como se fosse mulher do Daniel Vorcaro. Ele morava em apartamento de Vorcaro, tinha o cartão de crédito pago pelo Vorcaro, viajava por conta do Vorcaro, e ainda tinha mesada de R$ 500 mil. Se ele entrar com o reconhecimento de união estável, vai ganhar”.

Mesmo assim, Valdemar, o todo poderoso presidente do partido de Bolsonaro, não vê nenhum problema continuar contando com o apoio de Ciro, como certamente não haverá restrição a apoio de outras figuras da política manchadas pela corrupção, o crime organizado, entre outras práticas delituosas.

Afinal, Flávio Bolsonaro já convive com elementos dessa estirpe desde os tempos de deputado estadual no Rio de Janeiro, quando loteou seu gabinete, entre outros, com representantes de facções criminosas, como já foi revelado fartamente.

Mais um, menos um corrupto, portanto, não fará diferença para a candidatura da extrema-direita que disputa, renitentemente, até mesmo, o apoio de Donald Trump, o atual inquilino da Casa Branca, numa nova repetição da subser viência ao império do norte.

Ciro Nogueira, por sua vez, não apresentou nada que contestasse as denúncias desveladas pela PF, bastando-se em dizer que é alvo de “perseguição” política, além de usar o episódio para atacar o presidente Lula, em um claro sinal de histeria política.

Valdemar foi mais longe e afirmou que Ciro Nogueira, além de permanecer no palanque bolsonarista, “tem todo direito de continuar sendo o líder da oposição”.

Acrescentou, ainda, que o PP é um “grande partido, com “excelentes políticos”, e que o PL “precisa muito deles” para fortalecer a oposição ao governo Lula (PT).

Costa Neto, para agradar seu candidato e o clã, também criticou o homônimo do PSD, Gilberto Kassab, que, em entrevista recente, afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria um candidato melhor que Flávio.

Valdemar argumentou que não há comparação possível devido à força do sobrenome da família, descrevendo Jair Bolsonaro (PL) como um “fenômeno”.

Sim, um fenômeno condenado a 27 anos de detenção por tentativa de golpe de estado, entre outros crimes praticados contra a democracia e as instituições republicanas.

Mas nada disso importa para o presidente do partido de Bolsonaro. Pelo critério de Valdemar, Fernandinho Beira-Mar, do Comando Vermelho, e Marcola, do PCC, que se preparem, pois deverão ser bem recebidos no palanque de Flávio.

MARCO CAMPANELLA

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