Livre da masmorra israelense, Abu Keshek diz que “solidariedade à Palestina apenas começou”

“Durante esses dez dias, pude ouvir os gritos de palestinos sendo torturados por agentes israelenses, todos os dias”, denunciou Saif Abukeshek (EFE)

“O que mais nos preocupa são os milhares de palestinos – crianças, mulheres e homens – que foram deixados para trás, indefesos, torturados e estuprados por Israel”, afirmou o ativista espanhol-palestino, que foi mantido preso durante dez dias ao lado do brasileiro Thiago Ávila

Saudado com entusiasmo por manifestantes solidários à luta contra o apartheid israelense, o ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek afirmou neste domingo (10), após desembarcar em Barcelona depois de dez dias de sequestrado ilegalmente pelas tropas sionistas, que a mobilização em apoio a Gaza “apenas começou”.

Abu Keshek frisou que a campanha da Flotilha Global Sumud, interceptada ilegalmente em águas internacionais – a cerca de 1.100 quilômetros da costa de Gaza – continuará com redobrado vigor nos próximos dias. Esta flotilha foi barrada enquanto tentava levar ajuda humanitária a mais de dois milhões de habitantes submetidos, desde 7 de outubro de 2023, a uma política de cerco e aniquilamento por parte do governo de Benjamin Netanyahu.

“O que mais nos preocupa são os milhares de palestinos – crianças, mulheres e homens – que foram deixados para trás, indefesos, torturados e estuprados por Israel”, foram suas primeiras palavras, relembrando a tragédia que presenciou. Registrando a barbárie, assinalou que “durante esses dez dias, pude ouvir os gritos de palestinos sendo torturados por agentes israelenses todos os dias”. “Nossa prioridade deve ser a humanidade!”, sublinhou.

Mantido preso ao lado do brasileiro Thiago Ávila na masmorra de Shikma desde o dia 30 de abril, quando 175 membros da flotilha foram barrados, ​​Abu Keshek elogiou o trabalho coletivo dos ativistas internacionais e sublinhou que estão sendo preparadas dezenas de novas embarcações em vários portos. “Eles não o fazem por si próprios, mas por um povo que resiste há 80 anos”, enfatizou.

Afinal, recordam as organizações humanitárias, o criminoso bloqueio imposto pelos israelenses já custou oficialmente cerca de 80 mil vidas, além de dezenas de milhares de feridos e milhares de mutilados palestinos, inúmeros deles submetidos a cirurgias sem anestesia. Há fontes que já falam em mais de 350 mil mortos.

Em relação à Shikma, é uma prisão reconhecida por submeter os prisioneiros à tortura, ao som elevado e às luzes intensas, que junto a condições de baixas temperaturas e todo tipo de ameaças e práticas desumanas, a transformaram em um ambiente de escárnio bem ao gosto dos sionistas.

“QUEREMOS É QUE AS PESSOAS FALEM SOBRE A PALESTINA”

Abu Keshek disse que sua chegada a Barcelona é rápida, pois já vai arrumar as malas e “seguir de volta com meus colegas na Turquia” para reforçar uma nova flotilha. “Não somos heróis, nem queremos ser. O que queremos é que as pessoas falem sobre o que acontece na Palestina todos os dias. Parei de beber e, nos últimos dias, parei de falar na prisão”, relatou o ativista hispano-palestino, explicando que, durante as conversas com as autoridades israelenses, recebeu respostas racistas e que representavam uma negação da identidade de um povo. “Eles ficavam me dizendo que a Palestina não existe. Os guardas me repetiram isso várias vezes”, assinalou.

A ação do regime de Netanyahu nos territórios ocupados foi rechaçada por Abu Keshek, que acusou a comunidade internacional de permitir a interceptação da flotilha “com a indiferença de governos”. Diante de tamanha crueldade e descaso, exigiu que os navios que transportam armas para Israel cessem imediatamente de operar a partir de portos europeus e apelou à pressão contínua sobre o governo de Benjamin Netanyahu. “Estamos agindo porque o sistema está falhando. Estamos agindo porque o sistema foi projetado para fazer o que está fazendo: oprimir”, sublinhou.

O palestino acusou ainda o governo israelense de bloquear Gaza e impedir o acesso à ajuda humanitária, enquanto os bombardeios a hospitais e escolas na região continuam. “Como geração, enfrentamos uma tarefa histórica: confrontar governos que não respeitam os direitos humanos”, declarou.

Agradecendo à sua família pelo apoio “corajoso e enérgico”, parabenizou a atuação dos advogados do Centro Adalah, aos representantes do Brasil e da Espanha – que foram visitá-los – e aos membros da flotilha, por sua dedicação em defesa da verdade e da justiça.

“Os gritos e os golpes que deram em protesto contra a minha prisão me deram energia. Uma nova vida é possível com luta e resiliência. Viva a Palestina livre!”, concluiu seu pronunciamento, erguendo o punho e emocionando a todos.

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