428 integrantes da Flotilha humanitária a Gaza, sequestrados a bordo de aproximadamente 50 embarcações, que foram interceptadas pelo exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre, foram liberados nesta quinta-feira (21), após a revolta de vários países contra o violento e indigno aprisionamento dos que levavam medicamentos e alimentos à Gaza sob cerco por terra e mar.
A indignação internacional, desta vez, foi exacerbada por um vídeo no qual o ensandecido ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir, humilha os ativistas para depois ele próprio divulgar, exibindo sua inaceitável estupidez.
“É assim que recebemos apoiadores do terrorismo. Bem-vindos a Israel”, escreveu Ben-Gvir em legenda do filme, reforçando, em hebraico: “Assim tem que ser”.
Em outro trecho, ele é ouvido dizendo “Am Israel Chai” (O povo de Israel Vive), enquanto agride ativista algemado.
Boa parte dos participantes da “Global Sumud Flotilla” (“sumud” significa resiliência em árabe), que foram levados à força para Israel e detidos na prisão de Katziot, seria transferida para o Aeroporto Ramon, perto de Eilat, no sul de Israel, para serem deportados, informou nesta quinta-feira a Adalah – Centro Jurídico para os Direitos da Minoria Árabe em Israel -, que lhes presta assistência jurídica.
Segundo os organizadores da flotilha, 50 embarcações haviam partido da Turquia com o objetivo de entregar ajuda humanitária ao território palestino, devastado por dois anos de guerra e por uma trégua praticamente inexistente, em vigor desde outubro de 2025.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores israelense, todos foram transferidos para navios militares e conduzidos ao país durante a madrugada de terça para quarta-feira.
ABUSO FÍSICO POR AUTORIDADES ISRAELENSES
Uma equipe do Centro, juntamente com advogados voluntários, reuniu-se com centenas de participantes da flotilha no porto de Ashdod e coletou depoimentos apontando que as declarações indicam um novo padrão de abuso físico intencional por parte das autoridades israelenses.
Segundo a organização de apoio jurídico Adalah, três pessoas precisaram ser hospitalizadas devido a ferimentos causados pela violência e dezenas de participantes apresentaram suspeita de fraturas nas costelas e consequentes dificuldades respiratórias e muitos tinham marcas de espancamento.
A organização havia indicado na noite de quarta-feira que eles deveriam comparecer perante os tribunais com vistas à sua expulsão, mas um porta-voz entrevistado pela AFP, Moatassem Zeidan, declarou que, em última instância, “eles não serão levados perante os tribunais”.
FRANÇA, REINO UNIDO, ITÁLIA, BÉLGICA, AUSTRÁLIA, HOLANDA E CANADÁ
PROTESTAM CONTRA A BARBÁRIE
Governos da Polônia, Itália, França, Canadá, Bélgica, Austrália, Holanda e Reino Unido convocaram embaixadores israelenses para esclarecimentos e exigiram explicações ou pedidos de desculpas pelo tratamento dado a seus cidadãos a bordo da flotilha.
TURQUIA ORGANIZARÁ “VOOS ESPECIAIS”
Nessa situação, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, anunciou que seu país organizou “voos especiais” nesta quinta-feira para repatriar seus cidadãos e os de “terceiros países”.
No entanto, um ativista alemão, com cidadania israelense, que viajava no mesmo comboio marítimo, que partiu da Turquia depois que Israel interceptou uma flotilha anterior com destino a Gaza na costa da Grécia em abril, terá que comparecer perante um tribunal em Ashkelon, cidade vizinha ao porto de Ashdod.
Na quarta-feira, Ben Gvir, fascista responsável pela polícia e administração penitenciária, provocou indignação internacional e até mesmo dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo com imagens mostram os ativistas humanitários que levavam medicamentos e alimentos a Gaza ajoelhados, com as mãos amarradas atrás e com as cabeças voltadas ao chão.
“Bem-vindos a Israel, estamos em casa”, proclama ele de modo triunfal no vídeo, publicado em seus canais no Telegram e no X, com o hino nacional israelense tocando ao fundo.
As imagens mostram dezenas de ativistas ajoelhados lado a lado, com os rostos pressionados contra o chão e as mãos amarradas, no convés de um navio da Marinha israelense e com Gvir passeando entre eles e brandindo a bandeira de Israel.











