PF vê inutilidade na proposta de Vorcaro e rejeita colaboração premiada

O banqueiro das fraudes e financiador de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução - Instagram)

A Polícia Federal rejeitou a proposta de colaboração premiada feita por Daniel Vorcaro e considera que o banqueiro omitiu informações, protegendo figuras importantes da política brasileira. A decisão foi comunicada à defesa de Vorcaro na quarta-feira (20).

A avaliação da PF é que Daniel Vorcaro não ofereceu à investigação nenhuma contribuição com fatos novos, provas ou nomes de outros agentes.Segundo a PF, a proposta de Vorcaro é inútil.

Ou seja, Vorcaro tentou fazer uma colaboração premiada contando somente o que a investigação já descobriu. Os anexos entregues por ele para a delação não davam conta sequer do que a PF encontrou em seus celulares.

Além disso, o banqueiro propôs devolver R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos, valor que é pelo menos R$ 20 bilhões inferior ao que a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendem.

A PGR ainda não avaliou os documentos entregues pela defesa de Vorcaro para tratar da colaboração premiada. O órgão pode pedir que mais informações sejam acrescidas à delação para se posicionar de maneira favorável.

Com a rejeição por parte da PF, André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que é relator do caso, vai decidir se Daniel Vorcaro deve voltar para o presídio. Ele estava preso na sede da Polícia Federal enquanto a delação era discutida.

Nas últimas semanas, áudios e mensagens trocados entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro abriram novas frentes de investigação, como a possibilidade de que o dinheiro enviado pelo banqueiro para a produção de um filme biográfico de Jair Bolsonaro tenha sido utilizado para manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A PF já encontrou provas de que o Banco Master pagou propina para o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outros servidores da estatal controlada pelo governo do Distrito Federal. Costa também está negociando uma delação.

O BRB comprou títulos falsos no valor de R$ 12,2 bilhões do Banco Master e, depois, tentou adquirir o banco de Daniel Vorcaro para livrá-lo do rombo deixado pelas fraudes financeiras.

A investigação também fez operações de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontando que o bolsonarista recebia uma mesada de até R$ 500 mil de Vorcaro para agir conforme seus interesses no Congresso Nacional. Nogueira até apresentou uma emenda exatamente da mesma forma como recebeu do Banco Master.

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