Cartel dos bancos pressiona por Selic a 13,25% este ano
No boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda (25), as instituições financeiras estimam uma inflação acima de 5% no final deste ano, para barrar a redução da taxa Selic e manter os juros estrangulando a economia e as atividades produtivas no país.
No último boletim Focus, os bancos aumentaram o ponto médio das projeções para os juros de 13% para 13,25%, nível mantido nesta nova apuração. No início do ano, os achacadores dos cofres públicos previam uma taxa de 12%.
Entre as decisões do Copom (Comitê de Política Monetária), de março até a última reunião no final de abril, os diretores do BC realizaram um corte, ao todo, de apenas 0,50 ponto percentual (p.p) na Selic (taxa básica de juros), fixando-a em 14,5% ao ano.
Ao estabelecer uma taxa de juros base de 14,5%, o BC impõe juros reais (descontada a inflação) próximos de 10%, entre os maiores do mundo.
Taxas de juros nesses níveis proibitivos travam os investimentos necessários para acelerar a economia e modernizar a indústria nacional. O cenário de juros elevados também agrava as condições das famílias e empresas, cujos os indicadores de endividamento e inadimplência encontram-se em níveis recordes.
No acumulado de 12 meses até março, as despesas do setor público (União, Estados, municípios e estatais) somaram R$ 1,08 trilhão (8,35% do PIB), impulsionadas pela taxa Selic – que atingiu o nível de 15% ao ano em junho de 2025. Na prática, isso representa uma transferência de renda de toda a população – por meio dos juros – para bancos, rentistas e outros especuladores do erário.
Para 2027, a mediana da Selic seguiu em 11,25% ao ano. Em 2028, a projeção permaneceu em 10,00%, que é a mesma previsão para 2029.
Na última sexta (22), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que o índice de evolução da produção industrial caiu 7 pontos em abril, passando de 53,7 pontos para 46,7 pontos, atingindo o patamar mais baixo para o mês desde 2023.
A CNI explica que o parque industrial foi menos demandado no mês passado, por consequência dos juros altos e do aumento de custos. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 1 ponto em abril, para 68%.
“O que a gente vê em 2026 é uma desaceleração da produção industrial, na verdade ela já vem perdendo força desde 2005. O que esses indicadores sinalizam agora em abril é nada mais é do que uma continuidade dessa dificuldade que a indústria vem enfrentando, com uma menor demanda e consequentemente com uma menor atividade”, afirma o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.











