PF faz buscas na cobertura de Cláudio Castro: desvio foi de R$ 3 bi do Rioprevidência para o Master

Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro ligados ao escândalo Master (Foto: reprodução de redes sociais)

E Flávio Bolsonaro, que pegou R$ 61 milhões do banco e mandou para os EUA, ainda tem o cinismo de dizer que não havia dinheiro público envolvido no escândalo

O ex-governador bolsonarista Cláudio Castro (PL) foi alvo, nesta terça-feira (26), da 8ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga crimes financeiros praticados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A PF descobriu que não foram apenas R$ 970 milhões desviados do Rioprevidência, fundo que gere os benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado, mas sim R$ 3 bilhões, que foram transferidos para o conglomerado do Banco Master em diferentes ocasiões.

Os investigadores informaram que a fase desta terça-feira (26) mira em outras aplicações, de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, “totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência”. A PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão no RJ e no DF, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A cobertura de Cláudio Castro, na Península, um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, foi um dos alvos. A equipe ficou cerca de 3 horas na residência e deixou o edifício às 9h10, com 2 celulares apreendidos.

O Rioprevidência investiu R$ 970 milhões diretamente no Banco Master. Além disso, o fundo de previdência estadual também teria aplicado, segundo o TCE, cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição financeira. A PF, o entanto, descobriu que foram R$ 2 bilhões.

E o senador Flávio Bolsonaro, flagrado pedindo R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme de propaganda de seu pai, que está preso por tentativa de golpe de Estado, ainda teve o cinismo e a cara de pau de afirmar que não tinha dinheiro público envolvido nos recursos que ele pegou do banco fraudulento e transferiu para os Estados Unidos.

Parte das transferências de dinheiro dos aposentados, segundo parlamentares do Rio, foi feita mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que chegou a proibir novos aportes do Rioprevidência no banco. De acordo com o TCE-RJ, o Rioprevidência utilizava os recursos arrecadados por meio de descontos em folha para realizar aplicações no Master.

Esta é a segunda vez, em menos de 15 dias, que a PF bate na porta do bolsonarista Cláudio Castro. Em 15 de maio, agentes cumpriram na casa dele um mandado de busca na Operação Sem Refino, contra fraudes fiscais na Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos. A dono da Refit deve mais de R$ 8 bilhões e está foragido nos EUA. A Refit é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.

Ambas as operações ocorreram após a saída de Castro do governo do Rio. Ele renunciou ao cargo em março, antes da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que resultou em sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

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