Claudio Castro desiste de candidatura ao Senado pelo Rio em meio ao escândalo BolsoMaster

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) (Foto: Lula Marques - Agência Brasil)

Ex-governador do Rio abandona disputa ao Senado após duas operações da PF envolvendo o Rioprevidência, o clã Bolsonaro, Banco Master e suspeitas de favorecimento à Refit

Cláudio Castro (PL) anunciou nesta quinta-feira (28) que desistiu da candidatura ao Senado em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre investimentos do Rioprevidência ligados ao Banco Master e suspeitas de favorecimento à Refit durante sua gestão no governo do Rio de Janeiro. O ex-governador foi alvo de duas operações da PF em menos de 15 dias e afirmou que irá se dedicar integralmente à defesa e à família.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Castro disse que os últimos dias têm sido “muito difíceis” e classificou a decisão de abandonar a disputa eleitoral como a “mais difícil” de sua vida.

“Minha família está passando por momentos que jamais imaginei que ia passar. Dias de dor, de exposição, de mentiras, de narrativas – muito pior que a mentira é a meia-verdade. O que transforma atos corretos em tentativas de criminalizar o que era correto”.

O ex-governador também afirmou acreditar que conseguirá esclarecer os fatos investigados pela Polícia Federal.

O desgaste político de Castro aumentou após a operação realizada pela PF no dia 15 de maio, que apura supostos favorecimentos à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O grupo é apontado como um dos maiores devedores de impostos do país.

Na terça-feira (26), o ex-governador voltou a ser alvo da Polícia Federal em outra investigação relacionada a aportes bilionários do Rioprevidência — fundo responsável pelos benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado — em operações ligadas ao Banco Master. O episódio intensificou o constrangimento político no entorno bolsonarista fluminense e impulsionou o uso do apelido “BolsoMaster”, empregado para associar aliados do bolsonarismo ao escândalo envolvendo a instituição financeira.

Nos bastidores do PL, a avaliação era de que a situação jurídica de Castro já tornava insustentável sua permanência na disputa eleitoral. A cúpula do partido esperava o anúncio da desistência após a sequência de operações e o avanço das investigações.

Desde a primeira ação da PF, aliados próximos vinham aconselhando o ex-governador a abandonar qualquer projeto eleitoral e concentrar esforços na defesa. O entendimento era de que o aprofundamento dos inquéritos ampliava o desgaste político e aumentava os riscos para a legenda.

Cláudio Castro deixou o comando do governo estadual em março deste ano, na véspera do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre um processo que analisava suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Apesar da saída do cargo, o tribunal concluiu o julgamento e declarou sua inelegibilidade.

Mesmo após a decisão, Castro mantinha publicamente a intenção de disputar uma vaga no Senado enquanto tentava reverter a condenação na Justiça. A estratégia, porém, perdeu força com o avanço das investigações da Polícia Federal e a divulgação de novos elementos nos inquéritos, agravando o cenário político em torno de sua candidatura.

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