China defende ‘não interferência’ após EUA caracterizarem facções PCC e CV como ‘terroristas’

Ministro do Exterior Wang Yi (Wang Zhao-AFP)

Diante da designação, pelo regime Trump, de duas facções criminosas brasileiras como “terroristas internacionais”, à revelia do Brasil, a China manifestou nesta sexta-feira (29) sua defesa “consistente” do “princípio de não interferência”. As duas facções são o PCC (Primeiro Comando Capital) e o CV (Comando Vermelho).

“A China sempre defende a não interferência em assuntos internos de outros países”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Externas, Mao Ning, quando questionada sobre o posicionamento de Pequim a respeito do anúncio feito por Washington.

A informação foi divulgada pelo Global Times, diário em língua inglesa, ligado ao Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

A China confirmou que Mauro Vieira, chanceler brasileiro, fará uma visita oficial ao país de 31 de maio a 2 de junho, a convite do Ministro das Relações Exteriores Wang Yi.

O Brasil segue a posição da ONU que caracteriza de organização terrorista a grupos que cometam crimes violentos contra raças, etnias ou religião e tenham objetivos políticos – a exemplo da Al Qaeda e Estado Islâmico.

Como destacou o promotor paulista Lincoln Gakiya, aliás, jurado de morte pelo PCC, este e o CV são organizações criminosas com “objetivos econômicos, do tipo máfia”, e não organizações terroristas que visam “objetivos políticos”.

Ele lembrou que há muitos anos os EUA definiram organizações do México, Colômbia e El Salvador e sem que isso haja trazido qualquer avanço substancial ao combate a essas organizações. 

A decisão transfere do DEA (Drug Enforcement Agency) e FBI, órgãos especializados no combate ao tráfico e ao crime, para a CIA e Pentágono o combate às organizações ditas agora “terroristas” no exterior dos EUA.

Segundo especialistas, essa mudança poderá vir a dificultar a troca de informações para o combate ao crime organizado, que já é feita regularmente.

Curiosamente, a caracterização preferida pelos EUA é aplicada quando os braços financeiros do PCC e CV estão sob ataque frontal por investigações da Polícia Federal no assim chamado “andar de cima” ou “Faria Lima”. Especialistas em segurança pública também argumentam que a legislação brasileira de combate a facções criminosas prevê penas mais duras (até 80 anos) do que a lei antiterrorismo.

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