Flávio Bolsonaro meteu a mão em R$ 134 milhões do banqueiro. Já Tarcísio vendeu duas estatais em negociatas com Nelson Tanuri, considerado sócio oculto do Banco Master
O escândalo do Banco Master atingiu em cheio a candidatura de Flávio Bolsonaro com a divulgação, pelo Intercept Brasil, do áudio em que senador aparece pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar um filme de propaganda de seu pai, que foi condenado por tentativa de golpe. O áudio, pelo visto, era só a aponta do iceberg.
Na esteira do escândalo de Flávio descobriu-se que, além do filme, Vorcaro participou das negociatas da Sabesp e Emae e financiava também o trabalho de conspiração de Eduardo Bolsonaro junto à extrema-direita e a Trump nos EUA contra o Brasil.
Os dados apontam que o Banco Master estava envolvido em praticamente todos os esquemas financeiros criminosos do bolsonarismo. Os mais escandalosos envolvem Flávio, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Ciro Nogueira. Mas a coisa não parou por aí. A corrupção envolvendo as privatizações e transferências milionárias do governador de São Paulo, o também bolsonarista, Tarcísio de Freitas, para o Banco Master, tem dimensões gigantescas.
A descoberta de que Vorcaro despejou R$ 5 milhões nas campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bosonaro em 2022 já levantou suspeitas. Agora, a denúncia feita pelo deputado Antônio Donato, do PT de SP, junto ao Ministério Público, comprova o envolvimento dos donos do conglomerado do Banco Master e o governador Tarcísio nas negociatas da privatização da Emae, empresa metropolitana de Águas e Energia Elétrica, ocorrida entre abril e outubro de 2024, e da Sabesp, maior empresa de saneamento do país, vendida por Tarcísio em 23 de julho de 2024.
CRONOGRAMA DO CRIME
O cronograma abaixo revela que, assim como Flávio, Ibaneis, Cláudio Castro e Ciro Nogueira, Tarcísio de Freitas também estava envolvido e se beneficiava das tramas de Daniel Vorcaro.
Primeira privatização do governo Tarciso:
A Emae, empresa metropolitana de Águas e Energia Elétrica.
O comprador foi o Fundo Fênix, criado só um mês antes da venda da Emae. O Fundo Fênix é comandado por Nelson Tanuri, investigado pelo Ministério Público e Polícia Federal como sócio oculto do Banco Master. O empresário nega, mas se utilizou da “turma”- grupo de “bate-paus” do Vorcaro – para ameaçar o gestor do fundo Esh Capital, Vladimir Timermann, que o denunciou ao MP. O fundo Fênix é composto por ações da empresa Ambipar.
Coincidentemente, a CVM identificou ações coordenadas entre o Banco Master, o investidor Nelson Tanuri e o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Junior, para inflar artificialmente o valor das ações da empresa. As ações da Ambipar foram infladas em mais de 700%, numa operação estruturada pelo presidente do conselho da Ambipar, Carlos Piani. Essas ações infladas por essa operação fraudulenta permitiram que o Fundo Fênix pegasse um empréstimo da XP para pagar a compra da Emae.
Segunda privatização de Tarcísio:
Em Julho de 2024, Tarciso de Freitas privatiza a Sabesp.
E quem compra a Sabesp é a Equatorial. Também numa grande coincidência, o presidente do Conselho Administrativo da Equatorial era ninguém menos do que Carlos Piani, que também acumulava a presidência do Conselho Administrativo da Ambipar. Em outubro de 2024, Carlos Piani, ex-presidente do Conselho da Equatorial e ex-presidente do Conselho da Ambipar é anunciado como novo presidente da Sabesp privatizada.
Segundo Donato, entre julho e setembro de 2025, Nelson Tanuri raspa os cofres e pega 160 milhões de reais do caixa da Emae e compra CDBs podres do Banco Master. Em outubro de 2025, Tanuri não quita o empréstimo ao XP Investimento, que lhe permitiu comprar a Emae. A XP executa a dívida e assume o controle da Emae. Imediatamente depois, a Sabesp privatizada, comandada por Carlos Piani, compra a Emae da XP.
REDE DE CORRUPÇÃO
A denúncia apresentada pelo deputado resume o esquema da seguinte forma: Carlos Piani, que no início estruturou uma operação fraudulenta para comprar a Emae, agora fecha o círculo e leva para dentro da Sabesp já privatizada a outra empresa pública, a Emae, uma empresa estratégica para a gestão dos recursos hídricos do estado de São Paulo.
Em novembro de 2025, o Banco Master é liquidado pelo Banco Central e esse esquema todo começa a ser investigado. As relações de Vorcaro e Tarcísio, que recebeu R$ 2 milhões do banqueiroe em sua campanha 2022, através do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, hoje preso, foram banhadas com milhões de reais de empresas que foram privatizadas e que agora estão na mira dos investigadores.
Vale lembrar, diz o deputado Antônio Donato, que, após ser privatizada, a Emae elegeu como presidenta, a executiva Carla Maciel Dolabella, que antes, coincidentemente, era responsável pela área de fusões e aquisições de nada menos do que do Banco Master.
As denúncias do envolvimento de Vorcaro com as privatizações em São Paulo mostram que o dono do Banco Master estava envolvido em grandes esquemas bolsonaristas ilegais pelo país a fora. Isso explica sua disposição em desembolsar os R$ 134 milhões de seu banco, dos quais viabilizou a transferência para os Estados Unidos, de R$ 61 milhões, para financiar a permanência de Eduardo nos EUA, o filme de Jair Bolsonaro e, ao que tudo indica, a campanha eleitoral de Flavio Bolsonaro.
FASCISMO E ROUBO DO ERÁRIO
Os últimos acontecimentos estão mostrando que o esquema criminoso envolvendo o financiamento político do grupo fascista nucleado pelo bolsonarimso por parte do dono do Banco Master é bem maior do que a ponta do iceberg da orgia de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Outras figuras do bolsonarismo estão envolvidas com o banqueiro. O primeiro foi Ibaneis Rocha, governador de Brasília, aliado de primeira hora de Bolsonaro, que tentou repassar R$ 12 bilhões do BRB, banco público do DF, para o Banco Masterjá em situação pré-falimentar. Até comprar o Master falido o governador tentou, para esconder o escândalo.
O segundo foi o governador do Rio, Cláudio Castro, já afastado pela Justiça por corrupção, que desviou R$ 3.7 bilhões do fundo de aposentadoria dos servidores públicos do estado (Rioprevidência) para injetar no Banco Master. Agora acrescido com a notícia escandalosa de que R$ 80 milhões foram transferidos do Rioprevidência para o Master um dia após uma degustação de vinho entre Castro e Vorcaro em Nova Iorque que custou US$ 1 milhão. A Polícia Federal já está no encalço do governador. O terceiro foi o senador Ciro Nogueira que, segundo constatou a Polícia Federal, recebia uma mesada de R$ 500 mil do banqueiro para defender os interesses do Master no Senado.
CONSPIRAÇÃO NOS EUA
Flávio Bolsonaro era a maior aposta de Vorcaro. Ele teria recebido um mínimo de R$ 61 milhões do banqueiro ladrão. Mas, hoje sabe-se que, sob o pretexto de financiar o filme do pai, ele movimentou uma quantia muito maior do que isso. O valor acertado com Vorcaro, pelo que mostrou o áudio, era de R$ 134 milhões. Dinheiro público roubado pelo Master, ao contrário da versão do senador. O total de recursos movimentado pelo clã Bolsonaro em torno do filme girou entre R$ 134 e 250 milhões. Este valor reflete a soma dos R$ 134 milhões prometidos diretamente pelo Master a Flavio, através do fundo Havengate, com sede nos EUA. Mais os cerca de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo que teve um contrato com a ONG Instituto Conhecer Brasil, dirigida pela jornalista e empresária Karina Ferreira da Gama. Karina.
A ONG tratava de ampliação de internet nas periferias mas, por uma grande coincidência sua dona dirige também a empresa Go Up Entertainment, produtora à frente do filme sobre Jair Bolsonaro. Além disso, tiveram ainda as emendas parlamentares organizadas pelo deputado federal e ex-ministro de Bolsonaro, Mário Frias, que foram destinadas à produção do filme.
SÉRGIO CRUZ











