Morre Aarão Reis, o juiz que desafiou a ditadura em defesa da sede da UNE

Ao fundo, agachado, o juiz Aarão Reis. Foto: Reprodução

O juiz federal aposentado Carlos David Santo Aarão Reis foi sepultado nesta sexta-feira (29), no Rio de Janeiro. Ex-titular da 3ª Vara Federal da capital fluminense, Aarão Reis ficou nacionalmente conhecido por enfrentar militares ao tentar impedir a ocupação e a demolição da antiga sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Praia do Flamengo.

Na ocasião, diante do descumprimento de uma decisão judicial que suspendia a intervenção no imóvel, Aarão Reis dirigiu-se pessoalmente ao local acompanhado de oficiais de Justiça. Armado com um revólver calibre 38, interrompeu a ação e determinou a prisão dos responsáveis pela operação.

Na época, o magistrado chegou a ser suspenso por dois anos pelo extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR). Anos mais tarde, recusou-se a solicitar reabilitação funcional, argumentando que não havia motivo para pedir de volta algo que jamais considerou ter perdido. “Não posso pedir o que não perdi”, declarou à época.

Em nota de pesar, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) lamentou a morte do magistrado e destacou sua trajetória na Justiça Federal. Carlos David Aarão Reis ingressou na magistratura por meio do primeiro concurso nacional para juiz federal substituto, no qual conquistou o primeiro lugar. Sua posse ocorreu em 1974, em cerimônia realizada no Tribunal Federal de Recursos, iniciando uma carreira dedicada à Justiça Federal do Rio de Janeiro.

A despedida ocorreu no Memorial do Carmo, na capital fluminense. A Ajufe manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do magistrado, ressaltando sua contribuição para o Judiciário brasileiro e seu compromisso com a defesa das decisões judiciais e do Estado de Direito.

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