Refinaria privatizada por Bolsonaro aumenta preço do gás de cozinha em 9,59%

Refinaria Mataripe na Bahia/Foto: Divulgação

Na contramão dos esforços do governo Lula de conter a alta dos combustíveis, botijão de 13kg na Bahia vai a R$ 158,00

Vendendo combustível mais caro desde a sua privatização, ainda no governo Jair Bolsonaro, a refinaria Mataripe (antiga RLAM) na Bahia voltou a aumentar o preço Gás LIquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha. Nesta segunda-feira (1o), a Acelen, empresa dos Emirados Árabes dona da refinaria, anunciou reajuste de 9,59% no preço do botijão de gás de 13 kg. 

No dia anterior (31/5), o governo Lula prorrogou até 31 de julho a subvenção voltada a produtores e importadores de gás liquefeito de petróleo (GLP), possibilitando o equivalente a R$ 11 por botijão de gás de cozinha de 13 kg.

O diretor do Sindicato dos Revendedores de Gas do Estado da Bahia (SindRevGás), Robério Souza, em reportagem do G1, afirmou que o aumento pela Acelen “vai ter um impacto significativo, porque o gás vai aumentar entre R$ 8 e R$ 10. O consumidor já vai sentir o peso a partir de hoje”.

O preço médio do botijão em Salvador e na região metropolitana era de R$ 145. Com o reajuste, deve variar entre R$ 155 e R$ 158. Na maior parte do Brasil, o preço médio do gás de 13 kg varia entre R$ 120 e R$ 130. 

“Se comparar, o gás está quase 30% mais caro do que o consumidor pagava em dezembro de 2025”, denunciou o diretor do SindRevGás.

Além do impacto sobre o orçamento das famílias, o aumento de preços prejudica os revendedores e cria dificuldades para o programa federal “Gás do Povo”, que oferta gás gratuitamente para famílias de baixa renda. Com base no preço médio nacional, o programa paga R$ 106,39 aos revendedores de gás. Com o aumento do preço do botijão pela refinaria bahiana, as margens de lucro de comerciantes locais diminiu. 

Este é o terceiro aumento no preço do gás de cozinha feito pela Acelan este ano. Em janeiro, houve reajuste de 2,38%. Em abril, o aumento foi de 15%. 

REESTATIZAÇÃO DA REFINARIA

Segunda maior refinaria do Brasil em capacidade de refino, a RLAM foi vendida na calada da noite em 2021 para o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes, por um preço abaixo da avaliação de mercado. 

A Petrobrás, que agora retoma os planos de investimentos estratégicos na área de refino, voltou à mesa e está negociando a recompra da refinaria. Em abril, o presidente Lula chegou a afirmar publicamente que o governo pretende retomar o controle da refinaria baiana. 

“A recompra da antiga RLAM, hoje Refinaria de Mataripe, pela Petrobrás reacendeu um debate fundamental para a Bahia: os impactos da privatização sobre os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, além da necessidade de retomada do controle público de ativos estratégicos”, afirma a Associação dos Engenheiros da Petrobrás da Bahia (AEPET-BA).

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