CNI condena novo tarifaço de Trump contra produtos brasileiros

Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano”, afirmou Ricardo Alban, presidente da entidade

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a imposição da tarifa adicional de 25% pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros nos EUA impactará negativamente as cadeias produtivas de ambos os países.

“A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica, sólida e construída ao longo de décadas. A eventual adoção de tarifas adicionais vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano”, criticou Alban, ao defender que “o momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”.

A imposição por Trump de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, atacando, entre outras coisas, o PIX do brsileiro, no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), foi considerada aqui no Brasil, como mais uma tramoias da família Bolsonaro para sabotar os interesses nacionais. A medida veio logo após a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA, numa interferência direta daquele país aos assuntos internos do Brasil.

Segundo a CNI, em 2025, as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação aos Estados Unidos tiveram uma queda de 4,2% em comparação com o ano anterior, devido a medidas tarifárias dessa mesma natureza.  

“As vendas do setor ao país totalizaram US$ 30,2 bilhões. Nove dos 15 principais setores da indústria de transformação registraram queda nas exportações no ano passado. As maiores reduções ocorreram em produtos de metal (-31,6%); madeira (-20%); celulose e papel (-19,9%) e veículos automotores (-17,6%)”, diz a CNI, em nota.

No dia 6 de julho, o USTR deve promover uma audiência pública para debater o assunto. A CNI afirma que “seguirá acompanhando o tema e atuando junto às autoridades e ao setor produtivo dos dois países para defender soluções que preservem e fortaleçam a parceria econômica bilateral entre os dois países”.

FIEMG

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou que, apesar de a medida ainda estar em fase de consulta pública e não ter sido aplicada, a possibilidade de um novo tarifaço dos EUA às exportações brasileiras pode gerar impactos nos investimentos produtivos.

“A imposição de tarifas adicionais, mesmo que parcial, tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, ampliar o ambiente de incerteza para as empresas exportadoras e afetar investimentos, empregos e negócios ligados ao comércio exterior”, disse a entidade em nota. 

“A FIEMG defende que o governo brasileiro mantenha atuação firme, técnica e diplomática junto às autoridades norte-americanas, com o objetivo de evitar a entrada em vigor da tarifa, ampliar a lista de produtos isentos e preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado dos Estados Unidos”, completou.

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