UNE aciona a PGR para investigar a traição de Flávio Bolsonaro contra o Brasil

Não! à interferência dos EUA contra o Brasil, rejeita UNE (Foto: Bruno Peres - Agência Brasil)

Entidade denuncia o senador de estimular ingerência estrangeira em assuntos internos do País e pede apuração. Ato defende a soberania nacional, combate interferência externa e consequências econômicas da articulação bolsonarista com governo dos Estados Unidos

A soberania brasileira está em xeque, pela ação deletéria do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos para prejudicar o Brasil. Igual fez o irmão dele, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no ano passado.

A presidente da entidade, Bianca Borges, afirmou que a criminosa iniciativa do senador afronta a soberania brasileira e trilha a submissão a agendas externas. “A segurança pública deve ser tratada pelas instituições brasileiras, sem subordinação a interesses externos”, diz Bianca.

A traição internacional de Flávio ganhou novo capítulo e contornos nesta semana. A UNE (União Nacional dos Estudantes) protocolou notícia-crime junto na PGR (Procuradoria-Geral da República) em que pede apuração da conduta do parlamentar após ele admitir publicamente ter solicitado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

“Nós acionamos a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro. É inadmissível que parlamentares brasileiros articulem com o governo dos Estados Unidos medidas que interferem diretamente na nossa política interna e abrem precedentes perigosos para a nossa soberania”, diz a entidade.

“Os problemas e os desafios do Brasil devem ser enfrentados e defendidos internamente pelas nossas próprias instituições. Entregar o protagonismo nacional a interesses estrangeiros é um ataque direto ao nosso país”, continua.

Para a entidade estudantil, o episódio extrapola o debate sobre segurança pública e ingressa no terreno da soberania nacional. A UNE sustenta que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelas instituições brasileiras e não por meio da mobilização de governos estrangeiros para intervir em questões internas do País.

PEDIDO A TRUMP

Durante visita a Washington, Flávio Bolsonaro declarou ter pedido “expressamente” a Trump que classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras.

Dias depois, o governo americano anunciou exatamente essa medida, que entra em vigor em 5 de junho. A iniciativa deletéria de Flávio juntou a “fome com a vontade de comer” da administração Trump.

O próprio senador comemorou a decisão e a apresentou como vitória política pessoal contra o Brasil, expressou o “patriota”.

A classificação foi formalizada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, inimigo do Brasil, e passou a integrar a estratégia de segurança da administração Trump para a América Latina.

INTERFERÊNCIA EXTERNA

A reação no Brasil foi imediata. O presidente Lula (PT) rejeitou a decisão americana e classificou-a como medida de ingerência em assuntos internos brasileiros. Segundo Lula, o País não aceitará ser tratado como “república subordinada” e possui instituições capazes de enfrentar organizações criminosas sem tutela estrangeira.

Especialistas em relações internacionais e segurança pública também apontaram riscos diplomáticos e jurídicos decorrentes da medida.

A classificação de organizações como terroristas pelo governo dos EUA abre espaço para sanções financeiras, restrições comerciais e ampliação do monitoramento de empresas e setores econômicos considerados vulneráveis à infiltração criminosa.

CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS

Um dos principais argumentos dos críticos da iniciativa é que ela pode produzir efeitos muito além do combate ao crime organizado.

Analistas ouvidos pela imprensa internacional observam que a classificação pode aumentar riscos regulatórios para empresas que atuam em áreas sob influência de facções criminosas, afetando setores como mineração, energia, telecomunicações e agronegócio.

Também há receio de que bancos e investidores internacionais passem a adotar critérios mais rígidos para operações envolvendo o Brasil.

O debate ganhou ainda mais intensidade com os EUA anunciando mais tarifaços contra produtos brasileiros. Um deles de 25%. E outro de 12,5% contra produtos de suposta origem em trabalho forçado.

NOVO CAPÍTULO

A notícia-crime da UNE ocorre em meio a críticas crescentes à estratégia internacional adotada por lideranças bolsonaristas. Trata-se de ação de subordinação dos interesses brasileiros à tutela dos Estados Unidos.

Para setores da oposição, a busca de apoio político com o governo americano para pressionar instituições brasileiras representa tentativa de internacionalizar disputas internas e de utilizar a influência de Washington como instrumento de combate político doméstico.

A controvérsia ganhou dimensão ainda maior porque Flávio Bolsonaro não apenas defendeu a medida como participou ativamente da articulação que resultou na decisão da Casa Branca, conforme reconhecido por ele próprio após os encontros realizados em Washington. Colocou a digital da sua traição ao Brasil.

O QUE A PGR PODE FAZER

A notícia-crime apresentada pela UNE será analisada pela PGR, que poderá arquivar a representação, solicitar informações adicionais ou instaurar procedimento investigatório.

Embora juristas divirjam sobre o enquadramento legal da conduta do senador, o caso recoloca no centro do debate nacional questão histórica da política brasileira: até onde pode ir a atuação de agentes públicos brasileiros com governos estrangeiros quando essas iniciativas produzem impactos diplomáticos, econômicos e institucionais sobre o próprio País?

É justamente essa fronteira entre articulação política internacional e possível violação dos interesses nacionais que a UNE pretende ver examinada pelo Ministério Público Federal.

Enquanto isso, a iniciativa de Flávio Bolsonaro segue alimentando uma das mais intensas controvérsias, até o momento, da pré-campanha presidencial de 2026.

O resultado do seu conluio com estrangeiro está se refletindo na rejeição ao seu nome para a eleição presidencial de 2026. Pesquisas apontam que sua atitude é reprovada por quase 80% nas redes sociais e seu nome é associado à palavra “traição”.

Nos levantamentos eleitorais sua candidatura teve uma queda acentuada na intenção de voto dos brasileiros.

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