Antonio Sanguino chegou na sede da CUT vestindo “sinceramente” a camiseta da seleção colombiana e não “fingidamente”, como faz o candidato a presidente Abelardo de la Espriella, que tem nacionalidade estadunidense e já manifestou total alinhamento com Trump
LEONARDO WEXELL SEVERO, DE BOGOTÁ/COLÔMBIA
COM A COLABORAÇÃO DE CAIO TEIXEIRA
O ministro do Trabalho da Colômbia, Antonio Sanguino, chegou nesta quinta-feira (4) pela manhã à sede da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), em Bogotá, para anunciar a retirada do projeto da Assembleia Nacional Constituinte da iniciativa que vinha sendo proposta pelo governo junto aos movimentos sociais e popular.
A decisão foi em função da manipulação de medos infundidos pela extrema-direita – como o de que a Constituinte viria para “expropriar terras”, “colocar empresas para contaminar a natureza”, “acabar com a democracia e impor a tirania” – tirando proveito para o segundo turno das eleições presidenciais de 21 de junho.
“Visto a camiseta da nossa seleção para a Copa e a coloco sinceramente, não fingidamente. Visto a camiseta de Colômbia, não a dos Estados Unidos, visto a camiseta do meu país”, defendeu o ministro, em entrevista exclusiva, condenando o candidato ultradireitista Abelardo de la Espriella, que tem nacionalidade estadunidense e já manifestou total submissão a Donald Trump e ao seu “Escudo das Américas”.
Para Sanguino, “a integração e a dignidade da América Latina neste ano estão nas mãos do Brasil e da Colômbia”, que vão às urnas com Luís Inácio Lula da Silva e Iván Cepeda unindo e mobilizando forças contra o fascismo e sua truculência reacionária.
“CONSOLIDAR A ALIANÇA ENTRE TRABALHADORES E GOVERNO”
“Estamos aqui na sede da CUT Colômbia, porque este é um governo dos trabalhadores e trabalhadoras, como é o de Lula em nossa irmã República do Brasil, presidente que é um dirigente sindical e referência da esquerda e do progressismo latino-americano”, assinalou. Nossa presença, acrescentou, é “para consolidar esta aliança entre os trabalhadores e o governo, a fim de permitir que as reformas e os direitos que essas reformas consagram sejam possíveis e tenham continuidade na próxima gestão”.
Segundo o ministro do Trabalho, ao encerrar neste momento a campanha pela Constituinte, o governo sinaliza para o eleitorado mais ao centro que não se deve deixar enganar. “A coleta de assinaturas para a Assembleia Constituinte é legítima, está prevista em nossa Constituição Nacional, é necessária quando as reformas são bloqueadas pelo Congresso, pelos Tribunais Superiores ou por outros poderes públicos”, explicou.
Sanguino recordou que “há um Comitê Promotor com os setores sociais e o movimento popular, que é quem exerce a liderança, e há um acompanhamento do governo que o presidente decidiu que fosse feito através de mim, que sou o porta-voz”.
Infelizmente, relatou o ministro do Trabalho, “a Constituinte estava se tornando um tema que distorcia e afetava o debate eleitoral, e alguns setores vinham se aproveitando para incutir temores e medos infundados em relação à iniciativa”. “Para remover esse pretexto e afastar esse ruído”, esclareceu, “acordamos retirar a iniciativa da Constituinte, porque ela é um mecanismo, mas o mais importante é a essência das reformas sociais que o governo vem defendendo e promovendo”. “Nós queremos que sejam realizadas reformas, que ocorram mudanças, e que a Colômbia escolha a vida. O mecanismo é secundário. E isso se vai decidir nesta conjuntura eleitoral, no segundo turno à presidência”, frisou.
O ministro foi taxativo ao relatar que “a reforma trabalhista foi conquistada com a mobilização e pelo poder Constitucional, mas que a reforma previdenciária está bloqueada no Tribunal Constitucional à espera da definição de sua constitucionalidade e de seu trâmite, e que a reforma da saúde foi barrada em três ocasiões pelo Congresso da República”. Esta tem sido a prática da oligarquia, exemplificou: “a lei de justiça agrária, de jurisdição agrária, não foi aprovada, mas sabotada pelo Congresso da República, pelos setores do poder da extrema-direita colombiana, e outras reformas, como a lei de serviços públicos, reformas que têm a ver com a transição energética, continuam aí, no congelador”.
“Então, precisamos descongelar essas reformas. E isso pode ser feito por um governo comprometido com avanços, se o povo colombiano escolher que a agenda da próxima administração seja a agenda dessas reformas”, defendeu o ministro, para quem o mais provável “é que o Congresso da República tenha uma atitude distinta ao de agora e não se torne uma vaca morta atravessada no caminho, obstaculizando os avanços do povo colombiano”.
Para este governo o prioritário é que essas reformas sociais avancem, asseverou o ministro, “porque é a vida e porque são os direitos das pessoas, dos colombianos e colombianas”. “Aqui não pode haver nenhum direito a menos, nem o salário mínimo vital (um aumento em 2026 de 23,7% contra uma inflação de 5,2%), que não fizeram antes, nós o fizemos; nem os direitos trabalhistas, que foram retirados dos trabalhadores no ano de 2002 (com o governo neoliberal de Álvaro Uribe), nem o que conseguimos em termos do direito a uma previdência solidária para 3 milhões de idosos, porque o que havia era um programa mesquinho que se chamava Colômbia Maior, de 80 mil pesos (R$ 113,42) para 1,7 milhão de idosos. E poderia ser uma previdência solidária ou uma renda básica para 4,5 milhões de idosos. Este governo e este ministro se comprometem a lutar até o último suspiro pelos direitos dos colombianos e colombianas e pelas reformas sociais que o país reclama”, concluiu.
CUT CONVOCA A “CONCENTRAR ESFORÇOS PARA ELEIÇÃO DE CEPEDA”
Parte integrante do Comitê Promotor da Assembleia Nacional Constituinte, a Central Unitária de Trabalhadores se posicionou favorável em “apoiar com muita força a campanha eleitoral do nosso candidato presidencial Iván Cepeda”. “Essa é uma decisão já tomada, adequada do ponto de vista político e conveniente para que o país evidentemente se concentre no que hoje é a atividade mais importante e significativa para os colombianos, que é definir no próximo dia 21 de junho a presidência da República”, reiterou o presidente da CUT Colômbia, Fabio Arias.
O dirigente sindical realçou que “o empenho na eleição de Iván Cepeda é para que ele dê continuidade a todas as conquistas e avanços de recuperação de direitos deste governo da mudança, a fim de que possa continuar cumprindo essa atividade para os trabalhadores”.
DE LA ESPRIELLA É UM ADVOGÂNGSTER, ENRIQUECEU DEFENDENDO NARCOTRAFICANTES E MILICIANOS
De forma didática, o presidente da CUT apontou que “o senhor Abelardo de lá Espriella é total e radicalmente contrário ao que é a democracia, a soberania, ao progresso, aos direitos, e por isso vamos nos dedicar inteiramente a derrotar ao fascismo que ele representa”. Fascista, repetiu Fabio Arias, “é alguém que quer impor seus critérios pela força, negando diálogo e gerando medo para acumular poder. Essa é a sua trajetória, a de alguém que enriqueceu defendendo narcotraficantes, paramilitares (milicianos), e criminosos como David Murcia Guzmán – condenado a mais de 22 anos de prisão. [O engenhoso criador da famosa ‘pirâmide’ da DMG na Colômbia vendia cartões pré-pagos e prometia retornos exorbitantes, enganando milhares de investidores até o seu colapso e intervenção do governo em 2008]”. “Abelardo é o que chamamos um advogângster”, exclamou.
Do ponto de vista dos trabalhadores e do país, a eleição de Abelardo de la Espriella seria igualmente um desastre, refletiu: “ele propõe a redução do Estado com a demissão de 700 mil trabalhadores, com a privatização da educação e cortes em áreas sociais estratégicas, um verdadeiro desastre”.
Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.
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