Pesquisa nas redes e aplicativos mostram desgaste crescente de Flávio Bolsonaro após encontro com Trump
Levantamento da empresa de monitoramento Palver, divulgado nesta semana, mostra que 81% das mensagens sobre o novo tarifaço americano e as ameaças ao PIX responsabilizam direta ou indiretamente Flávio Bolsonaro pela crise.
O estudo analisou publicações em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram entre 27 de maio e 2 de junho, período que coincide com a visita do senador à capital americana e a reunião do senador com Trump.
O dado expõe crescente associação entre o bolsonarismo e iniciativas estrangeiras percebidas como prejudiciais à economia e à soberania nacional.
A viagem do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Washington produziu resultado político devastador para parlamentar. Este é o preço da submissão, da sabujice e da vassalagem do clã aos interesses dos Estados Unidos.
Em vez de projetar imagem de liderança internacional, o encontro com Donald Trump acabou consolidando nas redes digitais e nos aplicativos de mensagens a percepção de que o filho mais velho de Jair Bolsonaro se tornou um dos principais rostos brasileiros associados à escalada de pressões dos Estados Unidos contra o País.
ELO COM EDUARDO
O desgaste de Flávio não ocorre isoladamente. Esse se soma ao histórico recente de articulações internacionais conduzidas pelo irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que foi cassado pela Câmara dos Deputados.
Eduardo responde a ação penal relacionada à atuação dele com autoridades e grupos políticos americanos para defender sanções contra instituições e autoridades brasileiras.
O Supremo Tribunal Federal marcou para o próximo dia 16 o julgamento do caso. Segundo a acusação, o ex-parlamentar atuou para pressionar os Estados Unidos a adotar medidas contra o Brasil e integrantes do Judiciário brasileiro.
Nesse contexto, a viagem de Flávio passou a ser interpretada por parcela significativa dos usuários das redes como continuação da mesma estratégia: buscar apoio externo para fortalecer o projeto político da família Bolsonaro, mesmo quando são ações que geram custos para o País.
A percepção ganhou força porque o encontro com Trump ocorreu justamente quando avançavam em Washington discussões sobre novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros.
PIX, TARIFAS E GUERRA COMERCIAL
O agravamento da crise ocorreu quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e incluiu o PIX entre os elementos citados na investigação comercial aberta contra o Brasil.
Nas redes, a coincidência temporal entre a visita à Casa Branca e o anúncio das medidas transformou o senador em alvo preferencial das críticas. Termos como “Tariflávio” passaram a circular amplamente, sintetizando a acusação de que a aproximação com Trump estaria produzindo consequências negativas para empresas, exportadores e trabalhadores brasileiros.
A reação foi tão intensa que ultrapassou os círculos tradicionais da esquerda. Nos bastidores políticos, inclusive entre setores da direita e do Centrão, cresceu a avaliação de que a vinculação entre Flávio e o tarifaço poderá se tornar problema eleitoral relevante caso as medidas avancem.
HERANÇA
Flávio Bolsonaro tentou reagir afirmando que teria pedido a Trump para não aplicar tarifas contra empresas brasileiras e para deixar eventuais negociações para depois das eleições presidenciais de 2026. A palavra de Flávio não vale nada. Ele também disse que não conhecia Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E foi pego na mentira deslavada.
A declaração de Flávio não impediu o avanço das críticas.
Pelo contrário: para muitos observadores, o simples fato de pré-candidato brasileiro discutir tarifas e relações comerciais diretamente com o líder estrangeiro já reforça a imagem de dependência política em relação ao trumpismo.
Nas redes, o debate parece ter ultrapassado a questão comercial. O que está em julgamento é a própria imagem de projeto político acusado pelos adversários de colocar alianças ideológicas internacionais acima dos interesses econômicos e institucionais do Brasil.
Se Eduardo Bolsonaro se tornou símbolo das tentativas de pressionar instituições brasileiras a partir do exterior, Flávio agora corre o risco de ficar marcado como o rosto político da crise comercial que atingiu o País justamente após a peregrinação dele à Casa Branca.
Para candidato que pretende disputar a Presidência, com a bandeira do patriotismo, é um desgaste que dificilmente passará despercebido durante a campanha.











