Ex-deputado ficou nervoso com a repercussão no Brasil da entrevista que ele deu à TMC 360, onde defendeu negociar o PIX. Além disso, pediu que mais tarifas sejam impostas ao país, mas só depois das eleições, caso Lula vença
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro ficou muito nervoso com as repercussões negativas de sua entrevista à TMC 360 dos Estados Unidos na quarta-feira (3). Na ocasião, ele falou sobre a troca do PIX pela Zelle americana e defendeu mais tarifas. Ele deve ter achado que os brasileiros não teriam acesso ao que ele disse. Por isso, falou pelos cotovelos.
Quando a entrevista chegou ao Brasil foi mais uma bomba que caiu sobre a cabeça da família Bolsonaro. Em vídeo, ele exigiu que a Rede Globo de TV se retratasse porque, segundo ele, sua afirmação sobre o PIX na entrevista teria sido tirada de contexto. Mas, a análise do conjunto da entrevista não só confirma que ele colocou o PIX na mesa de negociação, como fez pior, pediu que Trump ataque o país, mas somente depois da eleição presidencial.
Senão, vejamos.
O entrevistador entra na questão do PIX e faz a pergunta. “Muito se falou que as empresas de cartão de crédito americanas estão por trás dessas questões tarifárias, dessas tarifas que estão por vir, né? A briga vem do ano passado. O senhor sabe muito bem que isso estourou no ano passado, né? E voltou agora a discussão. O PIX está ameaçado?”
Vejam qual foi a resposta de Eduardo Bolsonaro a essa pergunta: “Felipe, isso daí, né?, nós fizemos um pedido aos americanos para que qualquer tipo de tarifa ou retaliação nesse sentido comercial, que ela demorasse, que ela esperasse pelo menos até a eleição desse ano. Porque, se o Flávio Bolsonaro for eleito, teremos outra diretriz do governo federal.”
O que Eduardo fez foi confessar que ele pediu a Trump para atacar o Brasil: ‘Só puna o povo brasileiro caso Lula vença a eleição’. Foi isso o que ele disse. Então, conviria esperar o pleito porque, afinal, se eleito, o irmão, “Tariflávio”, estará disposto a fazer tudo o que o presidente norte-americano quiser. E abre o jogo que pode entregar não só o PIX, mas tudo o que Trump quiser saquear do Brasil.
Depois desta jura de servilismo, o conspirador deixa claro que está do lado do governo dos EUA contra o PIX. Diz ele “agora, os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao PIX, como por exemplo, o Zelle, que é o PIX, dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar. Dá para negociar”.
Está cristalino que ele põe o PIX na mesa de negociação. O que os EUA querem é que o PIX deixe de ser gratuito porque isso reduz os ganhos dos bancos americanos e seus cartões Mastercard e Visa, que amealham bilhões cobrando taxas nas transações financeiras. O que ele quer é garantir os cerca de R$ 20 bilhões que eles deixam de ganhar do povo brasileiro com a existência do PIX gratuito.
E prossegue a entrevista do “bananinha”. Diz o traíra: Eles têm interesses onde as nossas economias se complementam, como, por exemplo, terras raras, manganês, que os Estados Unidos importam 100% do manganês, e o Brasil é um grande produtor de manganês. Dá para a gente conversar e botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação contra qualquer meio que a gente utiliza aqui de pagamento. (…) E, ainda assim, nós levamos a mensagem aos Estados Unidos: ‘Por favor, não tarifa no Brasil’.”
O ex-deputado terminou essa resposta aparentando que pedia para que não houvesse mais tarifas contra o Brasil, mas não é verdade. Ele tinha dito antes que pediu a Trump para impor as tarifas só depois das eleições, isso no caso da derrota do irmão. Então, esse “não tarifar o Brasil” é para não o fazer agora, mas sim depois da eleição, contra Lula. Devem estar achando- depois de toda a lambança de Flávio – que vão perder mesmo o pleito.
Notem que desde o início da entrevista ele está mentindo sobre o PIX. O “Zelle” não é o PIX dos Estados Unidos, como afirmou o ex-deputado. A começar pela gestão: privada num caso; pública no outro. A adesão dos bancos ao nosso sistema é universal e obrigatória; no caso do norte-americano, não. A funcionalidade é muito distinta, e aquele modelo não serve às operações de pessoas físicas com pessoas jurídicas — pagamento de compra, por exemplo.
Então, essa raivinha toda do Dudu Bananinha contra a Globo e outros órgãos de imprensa é porque a entrevista repercutiu no Brasil e deixou claro que ele colocou o PIX na mesa de negociação, pediu mais tarifas e voltou a oferecer as riquezas brasileiras para Trump.
Ou seja, foi confirmada a traição nacional dele e do irmão, Flávio. Este último, como todos já sabem, está bastante detonado depois de ser flagrado em um áudio pedindo R$ 134 milhões para o banqueiro ladrão Daniel Vorcaro.
SÉRGIO CRUZ











