“Raúl é Cuba”, afirma o presidente Díaz-Canel na comemoração dos 95 anos do líder revolucionário

Diaz-Canel felicita Raúl Castro por seu aniversário (Irene Pérez/Cuba Escena)

Cuba homenageou o ex-presidente e líder revolucionário, Raúl Castro, no seu 95º aniversário que transcorreu nesta sexta-feira (5), no Teatro Karl Marx, em Havana, ao lado de seu sucessor, Miguel Díaz-Canel, e com a frase “Raúl é Raúl” ecoando no mundo inteiro, diante das vis calúnias assacadas pelo império e seus asseclas, que se traduziram no indiciamento por um tribunal de fancaria de Miami.

Também estavam presentes os principais dirigentes do PC cubano e do governo, as lideranças das organizações sociais e entidades, os chefes das Forças Armadas Revolucionárias e os parentes dos 32 camaradas que tombaram em combate desigual na Venezuela, durante o ataque dos EUA.

A frase “Raúl é Raúl” pegou nas redes digitais e muito além, frisou sob aplausos o presidente cubano, “inspirada naquela que ele disse muito antes, referindo-se ao Comandante-em-Chefe [Fidel], para destacar os méritos excepcionais de seu irmão de sangue, ideais e batalhas”.

Sobre Raúl, Díaz-Canel enfatizou que ele é “um pilar deste bastião de dignidade e justiça que Cuba continua sendo, enfrentando hoje o mais voraz e implacável dos impérios, sem baixar as bandeiras, sem abdicar de nossos sonhos e sem se render.”

“Viva Cuba livre!, grita o povo das arquibancadas, convocado a repudiar a infâmia das acusações contra Raúl e a punição coletiva criminosa aplicada a toda a população, esse genocídio na forma de bloqueio energético que busca sufocar o país.”

“Os inimigos históricos da nação procuraram humilhar Cuba acusando seu líder, e tudo o que conseguiram foi desencadear a lendária rebelião deste povo que os repudia e condena, enquanto canta felicitações ao General do Exército em um dos aniversários mais celebrados da história.”

ESTADISTA

“Raúl é Cuba, Cuba não deve ser tocada! (Aplausos.) Não deve ser tocada enquanto houver um único cubano ou cubana digno(a) vivo(a) para servir de escudo onde o inimigo pretende atingir a bala”, disse Díaz-Canel, traçando o perfil do veterano líder revolucionário.

“Raúl também é a Nossa América e o Sul Global”, assinalou, destacando sua estatura de estadista, como em sua efetiva contribuição para a proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz. Foi também “o mediador ativo e eficaz das negociações de paz na Colômbia”, que possibilitaram a assinatura do acordo entre as FARC e o governo colombiano.

Foi ainda Raúl que, com paciência, sabedoria e discrição, atuou pela normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos, “um caminho interrompido em 2017 por pretextos implausíveis fabricados por segmentos anticubanos que pressionam por um confronto militar, o qual seria dramaticamente custoso para ambos os povos”.

O evento também comemorou os 65 anos da criação do Ministério do Interior, que ocorreu na sequência da derrota em Playa Girón dos gusanos aliciados pela CIA e proclamação, por Fidel, do caráter socialista da revolução.

TEMPOS CRUCIAIS

“Nossa nação vive tempos cruciais, ameaçada como nunca antes pelo imperialismo, que mais uma vez acredita poder nos subjugar e destruir a Revolução. Para tanto, e diante dos olhos do mundo, violando todas as normas do direito internacional, o governo dos Estados Unidos comete um ato de genocídio que impõe terríveis limitações à vida cotidiana de nosso povo”, denunciou o presidente cubano.

“O bloqueio energético que implementaram em 29 de janeiro, por meio de uma Ordem Executiva, é um ato de extrema crueldade devido às suas implicações humanitárias. Os Estados Unidos ameaçaram com medidas coercitivas qualquer pessoa que nos forneça esse recurso.”

“Nos primeiros cinco meses do ano, Cuba recebeu apenas um carregamento de combustível, dos 40 que havia solicitado nesse período.”

“Não contentes com o bloqueio total de combustível, em 1º de maio, após uma retumbante demonstração de apoio popular à Revolução, eles intensificaram ainda mais o bloqueio num ato de evidente raiva e frustração. Naquele dia, anunciaram um novo Decreto Executivo repleto de ameaças, sanções, confiscos e multas para qualquer empresa, banco, instituição ou indivíduo que negocie com Cuba, invista em Cuba ou forneça a Cuba até mesmo os itens mais básicos, como alimentos, medicamentos e produtos de higiene.”

“O recente êxodo de diversas empresas de Cuba é resultado direto das medidas coercitivas do governo dos EUA. Eles desencadearam esse terror global baseado em outra mentira descarada: a criminalização de um sistema empresarial cubano como o da GAE. Sem apresentar uma única prova, fabricaram uma história de corrupção e enriquecimento de poucos privilegiados, uma narrativa que só existe em suas mentes distorcidas.”

“O ataque à GAE não é acidental. Eles estão visando um sistema de empresas porque sabem o quão eficaz ele é diante do bloqueio econômico contínuo dos Estados Unidos contra o povo cubano.”

“Trata-se da mesma estratégia utilizada para buscar inviabilizar a colaboração médica com Cuba, baseada em falácias infames que visam cortar uma importante fonte de financiamento para o Sistema Público de Saúde gratuito e universal”.

AVALANCHE DE ÓDIO E MENTIRAS

“Enquanto esse genocídio contra o povo de Cuba está em curso, seus perpetradores mentem descaradamente para o mundo, negando seus crimes”, alertou Díaz-Canel.

“Uma avalanche de ódio e mentiras é disseminada contra os líderes cubanos e suas famílias. Calúnias e ameaças são proferidas, seguindo as antigas táticas nazistas e os manuais de guerra híbrida da era da internet: confundir, distorcer a realidade, desacreditar, estigmatizar e desorientar o povo cubano e a opinião pública mundial, a fim de justificar suas injustificáveis ​​guerras de pilhagem.”

“Do Haiti à Venezuela, incluindo centenas de aventuras intervencionistas ao redor do mundo — e não vamos esquecer o Iraque, o Afeganistão, a Líbia — durante os últimos dois séculos do império americano, tudo o que vemos é um prólogo cheio de mentiras e um epílogo de destruição e morte.”

“Eles iniciaram uma guerra contra o Irã com mentiras, alegando que o país estava prestes a fabricar armas nucleares, sem uma única prova, embora as organizações internacionais relevantes tivessem descartado essa possibilidade.”

“E com mais mentiras, pretendem construir um pretexto para uma agressão militar contra Cuba, baseada na história ridícula e patética de que este pequeno arquipélago, bloqueado e empobrecido por medidas coercitivas unilaterais, representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.”

NARRATIVA INVERTIDA

“A maior crueldade do bloqueio é sua longa duração. E a maior ofensa a Cuba, que o sofre, e ao mundo que o rejeita, é a tentativa cínica de impor uma narrativa inversa: a do Estado falido como o culpado.”

“O objetivo de desestabilizar o país por meio do estrangulamento econômico é tão perverso quanto a narrativa falsa que o acompanha, a qual inverte a causa dos problemas para tornar os verdadeiros culpados invisíveis.”

“Não fechamos os olhos às nossas próprias deficiências, mas um Estado que é impedido ou dificultado de importar alimentos, medicamentos, combustível e peças de reposição, através do bloqueio das suas finanças internacionais e da proibição de acesso ao crédito ou do livre comércio, enquanto ameaça terceiros, jamais poderá funcionar normalmente.”

“Esses obstáculos e dificuldades se traduzem em longos e insuportáveis ​​apagões, escassez de medicamentos, alimentos e outros suprimentos, baixos níveis de produção, uma profunda crise no transporte de passageiros dentro e fora do país, queda no turismo, alta migração e o coro imperial, com seus porta-vozes locais, culpando o suposto ‘Estado falido’ e, por extensão, o socialismo por tudo que dá errado ou não funciona. Que posição hipócrita!”

“O que o império chama de Estado falido é, na realidade, um Estado sob ataque e que se recusa a render-se!” (Aplausos.)

“A realidade cada vez mais inegável é que o governo dos Estados Unidos está fazendo todos os esforços para conduzir o país a um cenário de crise e colapso por meio de desequilíbrios econômicos, escassez de materiais e privação das necessidades mais básicas da população em seu cotidiano.”

“Trata-se de uma punição coletiva que busca subjugar e humilhar toda uma nação que, apesar das dificuldades que atravessa, não renuncia à sua independência nem cede às exigências de transformar Cuba em um Estado sob sua tutela.”

CUBA PERSISTE E RESISTE

“Essa é a verdade inconveniente: Cuba não se rende! Cuba persiste e resiste! E essa persistência é intolerável para o império!” (Aplausos.).

“Cuba quer a paz. Cuba não provoca, ataca ou desafia. Continuamos a lutar por um clima de entendimento com os Estados Unidos, baseado no respeito mútuo, apesar das nossas diferenças, como já se demonstrou ser possível.”

Ora, se a pátria for atacada, responderemos em legítima defesa! (Aplausos.) E se tentarem invadir, que não haja dúvidas: haverá uma luta determinada e resoluta! (Aplausos.)

Díaz-Canel também homenageou o Ministério do Interior que, juntamente com as Forças Armadas Revolucionárias, teve a missão de “confrontar os planos mais obscuros do imperialismo ianque ao longo das mais de seis décadas de existência da Revolução Cubana”.

“Apesar de seus planos implacáveis ​​e ações inescrupulosas em sua guerra suja e não declarada contra Cuba, eles não conseguiram aniquilar a Revolução porque, entre outros motivos, tivemos vocês como sentinelas incansáveis ​​da pátria” (Aplausos).

Ele lembrou, ainda, que nesse dia se completavam 65 anos do fracasso da “Operação Patty” da CIA, que visava assassinar Raúl em Santiago de Cuba, ao mesmo tempo em que pretendia encenar um “ataque” à base naval de Guantánamo para justificar a intervenção norte-americana na Ilha.

“Hoje, quando esses métodos antigos estão sendo reinventados contra a Revolução e seu líder, nossa resposta não será diferente, e nossa confiança na vitória não será menor!” (Aplausos.)

“Continuamos firmemente convencidos de que: Pátria ou Morte! Nós vamos vencer! (Exclamações de: ‘Nós vamos vencer!’). Viva Fidel e Raúl! (Exclamações de: ‘Viva!’). Viva o Ministério do Interior em seu sexagésimo quinto aniversário! (Exclamações de: ‘Viva!’). Viva o socialismo! (Exclamações de: ‘Viva!’) e Viva Cuba livre! (Exclamações de: ‘Viva!’).

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