Bancos projetam juros altos para seguir sugando o país

Querem manter os Juros e os lucros nas alturas. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Boletim Focus do BC eleva estimativa da Selic para 13,50%

Os bancos e demais instituições financeiras, consultadas pelo Banco Central (BC), voltaram a elevar a projeção para a taxa básica de juros ao fim de 2026.  Segundo o boletim Focus do BC, desta segunda-feira (8), o ponto médio da estimativa da Selic subiu de 13,25% para 13,50% ao ano na última semana. 

O intuito é pressionar o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) a cessar ou até elevar os juros em sua próxima reunião, que será realizada nos dias 17 e 18 de junho. 

Na primeira semana de julho de 2026, o banco Itaú elevou sua projeção para a Selic, de 13,25% para 13,75%. O mesmo Itaú que no primeiro trimestre de 2026 somou com o Bradesco e o espanhol Santander Brasil um lucro líquido de R$ 22,9 bilhões, alta de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, os investimentos e as atividades produtivas seguem perdendo desempenho devido a permanência da política monetária no campo contracionista.

O BTG Pactual também aumentou a sua estimativa para taxa nominal de juros, de 13% para 14,25%,  seguindo o movimento do XP e do JPG que já veem os juros superando os 14% no fim de 2026.  

Entre 18 de março e 29 de abril deste ano, os diretores do BC realizaram apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual (p.p.) na Selic, reduzindo a taxa para 14,5% ao ano – mantendo o arrocho sobre os investimentos públicos e privados, sufocando o consumo de bens e serviços e, desta forma, forçando a desaceleração dos indicadores econômicos do país.

Por outro lado, de janeiro a abril deste ano, foram transferidos dos setor público ao sistema financeiro, R$ 352 bilhões para pagamento de juros da dívida. Em doze meses, R$ 1,1 trilhão!

A permanência dos juros em patamares elevados está prejudicando as condições financeiras não só das famílias, vide o alto endividamento e inadimplência, mas também as empresas produtivas, sabotando os esforços do governo Lula em ajudar às famílias e pequenas e médias empresas a saírem do sufoco imposto pelas elevadas taxas de juros.

Segundo um levantamento da empresa Serasa Experian, em números absolutos, o Brasil somou 9 milhões de empresas com seus CNPJs negativados em abril deste ano, o maior patamar da série – iniciada em janeiro de 2016. Em abril do ano passado, eram 7,5 milhões nestas condições. 

Ou seja, de um ano para o outro, mais de 1,5 milhão de empresas não conseguiram honrar seus compromissos,  fazendo com que o indicador de companhias negativadas atingisse o maior pico de sua história.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, alerta que mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o nível ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito.  

“O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa”, afirma Abdelmalack, ao avaliar que o “dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026”.

No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1%, em relação ao quarto trimestre de 2025 (+0,3% – dado revisado de +0,1%). Essa alta do PIB, que foi menor que o resultado do PIB para o mesmo período do ano anterior, veio acompanhada do desaquecimento da  taxa de investimento, que no primeiro trimestre de 2026 ficou em apenas 16,5% em relação ao que foi observado no mesmo período do ano anterior (17,6%).

A paralisação dos cortes ou retorno do aumento dos juros propõe que os investimentos permaneçam aquém das necessidades do Brasil, que precisa retomar sua industrialização e gerar riqueza para a melhoria das condições de vida da população.

Quando analisada a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção civil etc… – o indicador voltou a registrar alta de 3,5% no primeiro trimestre, após ter caído -3,4% no quarto trimestre de 2025; variado em alta de 0,2% no terceiro; e caído 1,8% no segundo trimestre.

Na base de comparação com o primeiro trimestre de 2025, a FBCF caiu 1,4%, afetada pela queda na produção de bens de capital (-6,3%).

Sensível aos juros, o crescimento da indústria de transformação, que corresponde a mais de 80% da indústria, variou em alta de 0,1% nos primeiros três meses de 2026.

Dados recentes da produção industrial brasileira, divulgados pelo IBGE, mostram também que a produção  pela indústria de transformação segue crescendo próximo de zero (0,2%) em abril, após alta de 0,2% em março. No quarto mês de 2026, a produção de  bens de capital cresceu apenas 0,1% em relação ao mês de março e, frente a abril do ano passado, mostra queda de -4,3%.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) destaca que “o início de 2026 trouxe algum fôlego para a indústria, mas sem dissipar o quadro de baixo dinamismo imposto pelos níveis elevados de taxas de juros. O investimento produtivo segue enfraquecido, comprometendo o desempenho de bens de capital e dificultando uma recuperação mais disseminada”, afirma a entidade, em sua carta: “Bens de capital: freio da produção industrial no 1º trim/26”.

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