Na última terça-feira (9), a Fifa gerou uma nova controvérsia para a Copa do Mundo de 2026 ao exigir formalmente que a seleção haitiana modifique seu uniforme oficial de jogo. A camisa terá de ser mudada a pedido da Fifa. Em comunicado, a Saeta, empresa responsável pelo desenho do uniforme, afirmou que a Fifa pediu alterações sob alegação de possíveis mensagens políticas.
“O design final apresentado pela Saeta foi um tributo para os homens e mulheres que contribuem todos os dias para o futuro do Haiti e não foram pensados como uma mensagem política. Durante o processo de revisão, a Fifa determinou que certos elementos visuais poderiam ser interpretados de forma diferente por seus regulamentos e pediu modificações no design”, diz o comunicado da Saeta.
A camisa do Haiti contém a ilustração da Batalha de Vertières, travada em 1803, considerada decisiva para a independência do país após conflito com a França. O comunicado da Saeta, porém, não diz claramente se essa é a mudança pedida pela Fifa.
“Mais de dois séculos atrás, uma nação nasceu. Hoje, uma nova era começou. Essa é mais do que uma camisa, é um tributo ao povo haitiano. Nossa história não é somente contada oralmente. Nós vestimos, defendemos e carregamos orgulhosamente a história. Por 222 anos, o povo haitiano sempre foi orgulhoso de seu país, sempre esperando por dias melhores. O Haiti tem montanhas, mares e paisagens de palmeiras, mas a coisa mais preciosa é o povo desta terra. Nós vestimos história e vestimos orgulho”, diz a descrição oficial em inglês.
O Haiti está no Grupo C da Copa do Mundo. A seleção vai enfrentar o Brasil na segunda rodada da fase de grupos no dia 19 de junho.
Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, cresce a preocupação com a postura da Fifa diante de medidas adotadas pelo governo de Donald Trump que afetam diretamente a organização e o espírito do torneio. Entre os episódios mais criticados está o impedimento da entrada nos Estados Unidos de um árbitro da Somália escalado para competições ligadas à entidade, além dos relatos de revistas rigorosas e consideradas vexatórias enfrentadas por integrantes de delegações esportivas nos aeroportos norte-americanos.
Apesar de defender publicamente valores como inclusão, diversidade e integração entre os povos, a Fifa tem evitado confrontar as restrições impostas pelas autoridades americanas. A postura da entidade vem sendo apontada por críticos como uma demonstração de complacência diante de ações que colocam em risco a universalidade do futebol e o livre trânsito de atletas, árbitros e profissionais envolvidos na competição.
Para muitos observadores, o silêncio da Fifa contrasta com a gravidade dos episódios e levanta questionamentos sobre sua capacidade de garantir que a Copa do Mundo seja, de fato, um evento aberto a todos os países em igualdade de condições.











