IPCA-15: inflação desacelera e cresce pressão por queda mais acentuada dos juros

Preço dos alimentos puxaram o IPCA para baixo. (Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias)

Prévia da inflação em julho foi de 0,06%, praticamente zero. Alimentação em domicílio caiu 1,14% e combustíveis recuaram 0,90%

O indicador de prévia da inflação do Brasil (IPCA-15) ficou em 0,06% em julho deste ano, após registrar alta de 0,41% no mês anterior (junho), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28). Desta forma, a inflação segue em ritmo de desaceleração, deflagrado em maio deste ano (0,62%), após forte alta em abril (0,89%). Em julho de 2025, o IPCA-15 foi de 0,33%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,51% e, em 12 meses, de 4,52%, abaixo dos 4,80% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O resultado da prévia da inflação de julho é o menor para o mês desde julho de 2023 (- 0,07%) e ficou abaixo das projeções de “analistas de mercado” (0,22%), minando a empreitada financista pelo fim do ciclo de cortes dos juros e pela retomada do aumento do nível da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC).

A inflação em desaceleração reforça a pressão pela queda mais acentuada na Selic nas próximas reuniões no Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, ao contrário do cartel dos bancos – via Boletim Focus – que defendem a taxa em 14% no final de 2026, com apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião da semana que vem.

COMIDA E COMBUSTÍVEL EM QUEDA

Os alimentos foram os responsáveis por puxar o resultado do IPCA-15 para baixo. O grupo alimentação e bebidas marcou deflação de 0,66% em julho, após alta de 0,74% em junho, na esteira da queda de 1,14% na alimentação no domicílio. No mês, foram observados recuos nos preços do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). No lado das altas, destacam-se a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%).

Além dos alimentos, pode-se observar o arrefecimento nos grupos: artigos de residência (de 0,36% para 0,18%); vestuário (de 0,45% para -0,33%); saúde e cuidados pessoais (de 0,47% para 0,28%); despesas pessoais (de 0,34% para 0,08%); educação (de -0,02% para -0,04%); e comunicação (de 0,34% para -0,02%).

Os preços dos combustíveis caíram 0,90% em julho, com todos apresentando queda: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%). Apesar disso, o grupo Transportes apresentou uma aceleração nos preços, ao sair de -0,03% em junho para 0,11% em julho, com alta de 11,70% da passagem aérea.

Já o que atrapalhou o IPCA-15 de obter um resultado de deflação foi a energia elétrica, que subiu 3,03%, pressionando para o alto o grupo habitação (de 0,72% para 0,97%) e exercendo o principal impacto individual (0,12 p.p.) no índice geral de inflação.

Além da vigência da arbitrária bandeira tarifária da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que na atual cor amarela cobra adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos, a conta de luz reflete a incorporação dos reajustes tarifários altistas: +19,55% em Curitiba (12,85%), com vigência desde 24 de junho; +14,89% em uma das concessionárias em Porto Alegre (5,05%) desde 19 de junho; +8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (2,65%) vigente desde 04 de julho e +5,21% em Belo Horizonte (1,37%), a partir de 28 de maio.

Contudo, o IPCA-15 sinaliza que a inflação se espalhou menos na passagem de junho para julho. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, retraiu de 60,2% em junho para 48,2% em julho.

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