Mais de 80% dos contratos da lavanderia durante a gestão de Castro não passaram por licitação
Uma lavanderia ligada à família do deputado Altineu Côrtes, presidente do PL no Rio de Janeiro, teve um salto de 700% com contratos sem licitação junto ao governo de Cláudio Castro (PL).
As informações são do jornal O Globo.
A lavanderia multiplicou por oito seu faturamento com o governo do Rio enquanto o aliado Cláudio Castro (PL) comandou o estado, entre 2020 e 2026. Mais de 80% dos contratos durante a gestão de Castro não passaram por licitação.
Altineu, que também já foi líder da bancada do PL, diz que não tem nada ver a com a lavanderia.
A empresa está no nome de uma tia de 75 anos do deputado e funciona no mesmo local onde seu pai, também chamado Altineu, tinha uma lavanderia que foi fechada após um escândalo de corrupção.
A Max Clean Lavanderia Industrial recebeu, entre 2021 e 2026, R$ 78,8 milhões em contratos com o governo de Cláudio Castro. 19 dos 23 contratos foram feitos sem licitação.
Esse faturamento é oito vezes superior aos R$ 9,6 milhões do período entre 2017 e 2020, quando os governadores foram Luiz Fernando Pezão e Wilson Witzel.
Em um cálculo da média anual, o montante recebido do Estado do Rio de Janeiro saltou de R$ 2,4 milhões para R$ 13,13 milhões. Assim, o salto no faturamento anual com contratos públicos da lavanderia foi próximo a 450%.
EMPRESA FAMILIAR
A Max Clean tem como única sócia Alice Maria Ramos Freitas, uma senhora de 75 anos que é tia de Altineu Côrtes.
Além disso, a empresa fica no mesmo endereço, em São Gonçalo, onde o pai de Altineu, que tem o mesmo nome, mantinha a lavanderia Brasil Sul até seu fechamento em um escândalo de corrupção.
A equipe do jornal O Globo foi até a empresa e conversou com um funcionário, que disse que ali era a “lavanderia do Altineu” e que sequer conhecia nenhuma Alice.
O pai de Altineu foi preso em 2005 por um esquema de fraudes em licitações na área de limpeza hospitalar usando a Brasil Sul. Na época, a investigação obteve conversas do empresário sobre a organização criminosa.
Altineu pai tinha a prática de superdimensionar os serviços que a Brasil Sul realizava para receber valores maiores nos contratos públicos.
Ele foi condenado a 14 anos e nove meses de prisão por fraude em licitação, formação de quadrilha e corrupção ativa. Em outro processo, a condenação foi a oito anos de prisão por corrupção ativa. Ele cumpriu a maior parte de sua pena em liberdade.
A Polícia Federal chegou a mencionar que o deputado bolsonarista Altineu Côrtes foi sócio da Brasil Sul, mas ele não foi envolvido mais profundamente no processo.
A versão do deputado é de que ele não tem “nada a ver” com a Max Clean de sua tia e com o aumento do faturamento da empresa durante o governo de seu aliado.
“Não tenho nada a ver com essa lavanderia. Me desvencilhei dela em 2001, antes da minha primeira eleição, e nunca mais pisei lá, desde antes de a operação [de 2005] quebrar a empresa. Não sei nem quem está como sócio dela”, disse.
CONTRATOS COM FUNDAÇÃO
Segundo O Globo, 19 dos 23 contratos (isto é, 80%) da Max Clean com o governo do Estado do Rio de Janeiro foram firmados sem nenhuma licitação. Um desses tem o valor total de R$ 8,2 milhões, divididos em R$ 600 mil por mês.
O maior contrato foi firmado em março de 2024 e resultou no pagamento de R$ 37,9 milhões do Estado do Rio para a empresa após aditivos. De acordo com o contrato, a Max Clean é responsável pela limpeza de sete unidades da rede estadual de saúde.
Todos os contratos foram firmados junto à Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro, que é uma entidade pública vinculada ao governo estadual. A fundação é considerada há anos um “feudo” do PP no Rio.











