O Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Bela Vista, recebe a partir deste sábado (13) a 2ª Mostra Cinema Brasileiro de A a Z, iniciativa do CPC-UMES que propõe uma imersão em obras marcantes da cinematografia nacional. Com sessões gratuitas sempre aos sábados, às 10h, seguidas de debates com cineastas, pesquisadores e convidados, a mostra reunirá ao longo de seis meses clássicos do cinema brasileiro de ficção e documentário.
A abertura será com André, a Cara e a Coragem (1971), dirigido por Xavier de Oliveira. O filme acompanha a trajetória de André, interpretado por Stepan Nercessian, um jovem nordestino que migra para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Sem perder a ingenuidade e a humanidade diante das dificuldades impostas pela metrópole, o personagem se torna um retrato sensível das migrações internas e das transformações sociais vividas pelo Brasil na segunda metade do século XX.
Após a exibição, o público poderá participar de um debate com o próprio Xavier de Oliveira, cineasta e escritor cuja obra é marcada pelo olhar humanista, bem-humorado e atento às questões brasileiras.
Segundo os organizadores, a mostra busca apresentar filmes que revelam características fundamentais da formação social e cultural do país, abordando temas como desigualdade, identidade, memória, imigração, autoritarismo e relações familiares. Muitas das obras exibidas são adaptações de clássicos da literatura brasileira, ampliando as possibilidades de reflexão e debate.
“A Mostra Cinema Brasileiro de A a Z é um encontro leve com nossa cultura. Uma oportunidade de estudo, um adentramento em nossa realidade sem perder de vista a diversão”, destaca o texto de apresentação do evento.
A programação reúne alguns dos principais nomes do cinema nacional. Entre os destaques estão Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho; Doramundo, de João Batista de Andrade; Gaijin – Os Caminhos da Liberdade, de Tizuka Yamasaki; Hoje, de Tata Amaral; Jango, de Silvio Tendler; e Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho.
Um dos momentos mais aguardados da mostra será a exibição de Inocência (1983), de Walter Lima Júnior. Adaptado do romance de Visconde de Taunay, o filme marcou a estreia de Fernanda Torres no cinema, aos 16 anos, contracenando com seu pai, Fernando Torres. A obra é considerada uma das adaptações literárias mais importantes do cinema brasileiro e representa a culminação de um projeto que mobilizou gerações de realizadores, passando por nomes como Humberto Mauro, Carmen Santos e Lima Barreto.
Além das exibições, os debates ao vivo constituem um dos diferenciais da mostra. A proposta é aproximar o público dos processos criativos, das referências históricas e das questões sociais presentes nas obras. Para os organizadores, os encontros permitem compreender os filmes não apenas como entretenimento, mas também como documentos capazes de revelar aspectos profundos da sociedade brasileira.
Com entrada gratuita, a mostra pretende reafirmar o valor da produção audiovisual nacional e estimular o contato do público com filmes que ajudaram a construir a história do cinema brasileiro.

Serviço
2ª Mostra Cinema Brasileiro de A a Z
Cine-Teatro Denoy de Oliveira – Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista, São Paulo
De 13 de junho a 21 de novembro de 2026
Todos os sábados, às 10h
Entrada gratuita
VEJA A PROGRAMAÇÃO
13/06 – André, a Cara e a Coragem (1971, 91 min.)
Direção: Xavier de Oliveira
Sinopse: Após o sucesso de Marcelo Zona Sul, Xavier de Oliveira volta seu olhar para as classes populares. André (Stepan Nercessian) deixa o Nordeste e segue para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor, enfrentando as dificuldades da grande cidade sem perder sua simplicidade e humanidade.
Debatedor: Xavier de Oliveira – Cineasta e escritor carioca, possui uma obra caracterizada pelo olhar sereno, humano e bem-humorado diante dos problemas brasileiros, desenvolvendo uma perspectiva singular, inventiva e de ritmo próprio.
20/06 – Bom Dia, Eternidade (2008, 98 min.)
Direção: Rogério de Moura
Sinopse: Um ex-jogador de futebol vê sua vida ganhar novos significados ao revisitar lembranças de sua trajetória. Inspirado no humor popular de Denoy de Oliveira e no Movimento Dogma Feijoada, o filme valoriza o protagonismo de homens e mulheres negros na cultura brasileira.
Debatedor: Farid Tavares – Produtor do filme e amigo do diretor, atuou em mais de 30 produções cinematográficas como produtor executivo e diretor de produção.
27/06 – Cabra Marcado para Morrer (1984, 122 min.)
Direção: Eduardo Coutinho
Sinopse: Considerado um clássico do documentário brasileiro, o filme começou a ser rodado como ficção em 1964, foi interrompido pelo golpe militar e retomado duas décadas depois. A obra aborda a luta camponesa e a memória política do país.
Debatedor: Rogério Mattos – Estudioso da linguagem cinematográfica e da obra de Eduardo Coutinho. É formado em História, mestre em Literatura e doutor em História.
04/07 – Doramundo (1979, 95 min.)
Direção: João Batista de Andrade
Sinopse: Baseado no romance de Geraldo Ferraz, acompanha a vida em uma cidade ferroviária imaginária onde o cotidiano é marcado pela opressão, pelo isolamento e pela suspensão dos sonhos e afetos.
Debatedor: João Batista de Andrade – Cineasta, escritor e um dos mais importantes diretores da história do cinema brasileiro.
11/07 – Esse Mundo É Meu (1964, 80 min.)
Direção: Sérgio Ricardo
Sinopse: Ambientado na Favela da Catacumba, no Rio de Janeiro, o filme retrata os anseios populares às vésperas do golpe militar de 1964. Com roteiro, trilha sonora e direção de Sérgio Ricardo, é uma obra emblemática do cinema engajado brasileiro.
Debatedora: Marina Lutfi – Artista, cantora e filha do cineasta e compositor Sérgio Ricardo.
18/07 – Fogo Morto (1974, 88 min.)
Direção: Marcos Farias
Sinopse: Adaptação do romance de José Lins do Rego, retrata a decadência econômica e moral dos engenhos nordestinos e do latifúndio brasileiro, revelando as transformações sociais do país.
Debatedor: Joel Yamaji – Cineasta, pesquisador e estudioso do cinema brasileiro.
25/07 – Gaijin, os Caminhos da Liberdade (1980, 112 min.)
Direção: Tizuka Yamasaki
Sinopse: Um épico sobre a imigração japonesa no Brasil e o processo de formação da sociedade brasileira. A obra acompanha os desafios, conflitos e conquistas dos imigrantes em sua busca por liberdade e integração.
Debatedora: Tizuka Yamasaki – Uma das mais importantes cineastas do país, responsável por inúmeras produções de destaque no cinema nacional.
01/08 – Hoje (2011, 90 min.)
Direção: Tata Amaral
Sinopse: Baseado no livro Prova Contrária, de Fernando Bonassi, acompanha uma mulher que, após receber indenização do Estado pelos crimes da ditadura militar, tenta reconstruir sua vida e superar traumas do passado.
Debatedora: Tata Amaral – Cineasta e diretora do filme. Sua obra investiga aspectos humanos relacionados à realidade brasileira, sendo reconhecida por sua abordagem social e sensível.
08/08 – Inocência (1983, 118 min.)
Direção: Walter Lima Jr.
Sinopse: Inspirado no romance de Alfredo d’Escragnolle Taunay, narra uma história de amor e paixão em meio às limitações sociais do interior brasileiro do século XIX, discutindo liberdade, costumes e destino.
Debatedor: Walter Lima Jr. – Cineasta que figura entre os mais vigorosos, férteis e criativos realizadores do cinema brasileiro.
15/08 – Jango (1984, 115 min.)
Direção: Silvio Tendler
Sinopse: Documentário sobre a trajetória do presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964. A obra revisita as reformas de base, a crise política e os acontecimentos que levaram à ruptura democrática.
Debatedor: João Vicente Goulart – Escritor, filho, biógrafo e preservador da memória de João Goulart. Foi candidato à Presidência da República em 2016.
22/08 – Kasa Branca (2024, 95 min.)
Direção: Luciano Vidigal
Sinopse: Comédia dramática ambientada nas periferias do Rio de Janeiro. O filme aborda relações familiares, afeto, solidariedade e os desafios cotidianos enfrentados pela população das comunidades cariocas.
Debatedor: Luciano Vidigal – Cineasta e ator que ganhou projeção nacional a partir de sua participação em Cidade de Deus, desenvolvendo uma trajetória artística ligada ao Vidigal e às periferias cariocas.
29/08 – Lavoura Arcaica (2001, 123 min.)
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Sinopse: Adaptação do romance de Raduan Nassar. O drama acompanha os conflitos de André com sua família patriarcal, explorando temas como desejo, tradição, religião e repressão em uma narrativa marcada pela força poética e visual.
Debatedor:Luiz Fernando Carvalho – Diretor reconhecido pelo rigor artístico e pela inventividade estética, atualizando em sua trajetória os aspectos sensoriais da experiência cinematográfica brasileira.










