O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou “a expansão das sanções dos EUA contra Cuba”, enfatizando ser “inaceitável que crianças estejam morrendo por falta de suprimentos médicos essenciais. Essas sanções devem ser suspensas imediatamente”.
Desde 29 de janeiro, os EUA vêm impondo um bloqueio naval ao fornecimento de combustível à ilha e intensificaram as já extremadas medidas unilaterais contra Cuba, a ponto do fornecimento de medicamentos básicos ter caído a um nível crítico de 30%, enquanto o temor de parte de empresas privadas às sanções paralisou a distribuição de 2.900 toneladas métricas de alimentos humanitários gerenciados pela ONU para a população vulnerável.
Relatórios da saúde pública cubana mostram que a mortalidade infantil dobrou, chegando a 9,9 por 1.000 nascimentos, enquanto as taxas de sobrevivência ao câncer infantil caíram de 85% para 65%.
O bárbaro endurecimento das sanções reduziu a produção agrícola nacional em 60%, elevando os preços dos produtos básicos, enquanto as ameaças da Casa Branca mantêm a ilha desconectada dos sistemas de pagamento internacionais.
Volker Türk também exortou as empresas privadas a respeitarem os direitos humanos globais, evitando o cumprimento excessivo das sanções dos EUA e o rompimento indiscriminado de laços comerciais, em conformidade com as diretrizes da ONU para empresas.
“Que país pode viver e se desenvolver sob essa pressão?”, questionou o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em entrevista ao portal espanhol elDiario.
“Será que as Nações Unidas e os Estados soberanos permitirão que o direito internacional seja violado e que ocorram tentativas de retorno aos tempos de vassalagem, barbárie, colonização e escravidão?”, ele acrescentou.
Díaz-Canel enfatizou que as instituições internacionais precisam fazer muito mais para enfrentar as sanções, que afetam diversos países em desenvolvimento.
Diante do assédio imposto pelo bloqueio, Díaz-Canel expressou sua gratidão pela solidariedade e apoio internacional recebidos. Agradeceu ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, e a outros especialistas internacionais pela firme oposição ao bloqueio dos EUA contra Cuba.
Ele também destacou que a recente chegada de um petroleiro russo carregando 100 mil toneladas de combustível foi um evento extraordinário.
Díaz-Canel afirmou que “a determinação dos cubanos em defender nossa soberania absoluta é total” e que o povo de Cuba “não se esquecerá daqueles que, diante de abusos e chantagens, se colocaram ao lado da justiça e ergueram as mãos e as vozes sem medo”.
Nesse sentido, ele observou que Cuba está promovendo a criação de um grupo de trabalho do Conselho de Direitos Humanos composto por diversos especialistas, que dará ampla atenção especializada ao assunto. “Defendemos também a adoção de um instrumento internacional juridicamente vinculativo que exija o levantamento imediato dessas medidas e a responsabilização dos culpados”.











