Cepeda acusa De la Espriella de “financiar terror e enriquecer com narcoparamilitarismo”

Iván Cepeda mostra a conexão de Abelardo de La Espriella com o terror na Colômbia (Campanha)

Candidato das forças progressistas à presidência da Colômbia apresenta denúncia criminal à Procuradoria-Geral e ao Tribunal Penal Internacional para que “apurem as novas evidências de crimes”

LEONARDO WEXELL SEVERO, DE CALI/COLÔMBIA

O candidato do Pacto Histórico à presidência, senador Iván Cepeda, apresentou nesta quinta-feira (11) em Bogotá uma denúncia criminal à Procuradoria-Geral da Colômbia e ao Tribunal Penal Internacional contra o mafioso Abelardo de la Espriella, seu oponente na disputa pelo segundo turno no próximo dia 21.

Conforme o batalhador pelos direitos humanos, cujo pai foi assassinado pela extrema-direita, a acusação “contém novas evidências de prováveis vínculos entre o atual candidato à presidência e a organização narcoparamilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC)”.

A ação penal aponta a prática de “conspiração para cometer um crime (artigo 340 do Código Penal colombiano), financiamento do terrorismo (artigo 345) e enriquecimento ilícito (artigo 327)”.

“Sempre se afirmou ou presumiu que De la Espriella era um financiador ou cúmplice da organização paramilitar, mas com base nos documentos que temos consultado e reunido, poderá finalmente ser esclarecido se ele pertencia diretamente às AUC e atuava como parte delas”, declarou.

Cepeda explicou ter recebido informações de como De la Espriella “atuava como possível recrutador de grupos paramilitares” durante reuniões da Fundação Iniciativas de Paz (Fipaz), organização não governamental promovida pelos líderes das AUC.

FIPAZ SERVIU COMO ORGANIZAÇÃO LARANJA PARA OS PARAMILITARES

Como ponto relevante, o líder progressista afirmou ter informações que indicam que De la Espriella teria criado e liderado a Fundação para a Promoção de Ideias e Ações de Paz (Fipaz), organização laranja vinculada ao paramilitarismo, “para fins políticos durante o processo de desmobilização” em 2004.

“A Fipaz era financiada pelas AUC, mas ao mesmo tempo fornecia recursos e financiava as AUC. Ou seja, De la Espriella teria desempenhado o papel de ser tanto financiado quanto financiador das organizações paramilitares”, argumentou.

O Centro Nacional de Memória Histórica, a Comissão da Verdade e uma sentença da Justiça e Paz vão no mesmo caminho e caracterizaram a Fipaz como instrumento criado para ampliar a influência social dos milicianos com o uso dos recursos da organização.

Segundo Cepeda, entre outras figuras macabras, o mafioso mantém estreitos laços com o ex-líder paramilitar das AUC, Salvatore Mancuso, seu amigo de infância que o auxiliou na gestão da Fipaz. Esta “fundação” de triste memória também fez a seleção de candidatos para o Congresso da República, alertou o senador no segundo ponto de sua acusação.

O terceiro ponto atacado por Cepeda é o suborno oferecido pelo candidato mafioso ao ex-paramilitar conhecido como Juancho Dique para que este “permanecesse em silêncio em seu depoimento” durante o processo de desmobilização de pelo menos 30.000 paramilitares das AUC, nos termos da Lei Justiça e Paz (2005).

“De la Espriella desempenhou o papel de financiador e beneficiário de grupos paramilitares. E ainda precisa ser esclarecido se ele fazia parte dessas estruturas”, enfatizou Cepeda, que exibiu gráficos para ilustrar os históricos vínculos do ultradireitista com ex-líderes paramilitares.

Como quarto ponto, Cepeda acusou o indicado por Donald Trump, que tem quatro filhos norte-americanos e nacionalidade estadunidense, de adquirir uma propriedade de um parente do líder narcoparamilitar conhecido como “Comandante Barbie”, avaliada em aproximadamente US$ 200.000. Este terreno supostamente esteve localizado próximo a um centro identificado como ponto de operações paramilitares entre 1996 e 2006.

UM MILHÃO DE DÓLARES EM SUBORNO FINANCIA SILÊNCIO

Como quinto elemento, o progressista sustentou  que o fascista foi acusado pelo ex-paramilitar Juan Carlos Sierra, vulgo “El Tuso”, de lhe pedir cerca de um milhão de dólares para “subornos perante o Tribunal” e, assim, obter penas mais leves. “Peço ao Ministério Público que reabra as investigações para determinar o grau de envolvimento de De la Espriella com organizações paramilitares”, enfatizou.

Na avaliação de Cepeda, por todos os documentos coletados e pela reconhecida trajetória obscura do oponente, é necessário investigar a fundo, já que De la Espriella “supostamente contribuiu no pagamento de subornos para a eleição do ex-Procurador-Geral Mario Iguarán” (2005-2009) a fiim de que este atuasse “como fiador da impunidade para líderes paramilitares” perante os tribunais.

Finalmente, pediu ao Tribunal Penal Internacional que averigue a fundo cada um desses crimes porque “eles não foram devidamente investigados pelo sistema judiciário colombiano” e envolvem crimes contra a humanidade.

“Apelo às organizações de vítimas para que acionem todos os seus mecanismos para que, a partir deste momento, o Sr. De la Espriella compareça perante o sistema judicial, as suas potenciais ações criminosas sejam sujeitas à punição mais severa e à investigação mais detalhada e meticulosa”, concluiu Cepeda.

CALI E O VALE DO CAUCA FORTALECEM DENÚNCIA CONTRA DE LA ESPRIELLA

Para o vice-presidente do Sindicato Unitário Nacional de Trabalhadores do Estado Colombiano em Palmira, Arvey Lozano, a ilegalidade já foi demonstrada por Abelardo ao longo da vida quando defendeu criminosos da pior espécie. Entre outros horrores, lucrou como lobista de peso no caso da famosa pirâmide DMG em 2008, que prometia dividendos de 200% e prejudicou a mais de 200 mil colombianos.

 “Assumiu a defesa de David Murcia Guzmán, o criador da gigantesca operação ilegal de arrecadação de dinheiro que especulou com milhões de recursos que não lhe pertenciam na pirâmide. Defendeu paramilitares, lucrou US$ 350 mil abraçando a causa de Alex Saab, empresário colombiano, naturalizado venezuelano, que assaltou o país através de uma vasta rede de empresas de fachada, tomando recursos dos mais pobres. Vários delinquentes também denunciaram que foram roubados por ele. Isso dá a Cepeda todas as condições de afirmar sem temor que De la Espriella é um bandido, vinculado a crimes de lesa-humanidade, condenados pelo Tribunal Penal Internacional”.

Para completar, registra Arvey, que foi vítima de um atentado e teve seu colega Alejandro Caicedo Gavilán, secretário-geral do Sunet assassinado, o candidato da ultradireita explicitou como seriam as relações sociais na Colômbia caso governasse ao falar “literalmente em destripar os opositores, palavra que significa tirar as tripas”. “O problema é que em nosso país o candidato pode ficar impune porque os juízes participam de negócios escusos, de máfias, integradas por Abelardo, o que torna possível que não seja condenado”.

“A proximidade de Abelardo de la Espriella à ultradireita, seus vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo ficam explícitos ao longo de toda sua trajetória”, destacou Liliana Vivas Cortes, do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação do Vale do Cauca (Sutev), para quem a declaração de Cepeda serve como reforço a tudo o que se sabe.

Para a deputada federal Ana Erazo, recém-eleita pelo Vale do Cauca, Abelardo de la Espriella disse “com todas as letras que vai destruir a esquerda, é um apologista e um promotor terrível do fascismo, de tal maneira que há gente saindo de casa com um facão para defendê-lo”. “O que estamos vendo é uma campanha fanática da morte contra vida”, apontou.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

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