Líder brasileiro afirmou que o acesso à Inteligência Artificial e a outras tecnologias de ponta não pode ficar excluído das parcerias para o desenvolvimento
O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (16), durante reunião ampliada do G7 em Évian, na França, que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania dos Estados e ser conduzido por meio da cooperação internacional.
A fala significou uma clara resposta às intenções intervencionistas do regime dos EUA em outros países sob o falso pretexto de combater o narcotráfico. Lula defendeu uma resposta articulada contra narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráfico de armas, associando o enfrentamento aos crimes transnacionais à agenda global de desenvolvimento.
Para o líder brasileiro, crimes transnacionais precisam fazer parte do debate sobre desenvolvimento, especialmente diante do impacto do crime organizado sobre comunidades e sobre recursos públicos que deveriam ser destinados a áreas essenciais.
Lula destacou que o crime organizado “aterroriza comunidades” e desvia recursos que poderiam financiar escolas, hospitais e estradas. Segundo ele, o enfrentamento ao problema deve ocorrer sem violar a soberania dos países. “Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados”, afirmou Lula.
O presidente advertiu que o narcotráfico não pode ser tratado de forma isolada em relação a outros crimes. “O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”, declarou. Ele criticou também políticas neoliberais baseadas na desregulamentação dos mercados, no Estado mínimo e na austeridade fiscal. Segundo ele, o neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que atingem as democracias.
“Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, afirmou. Lula denunciou que a desigualdade entre países ricos e pobres aumentou nos últimos anos, em meio a uma extrema concentração de riqueza.
Lula também citou a queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento no ano passado. Para o presidente, a redução desses recursos afeta diretamente populações de países em desenvolvimento, com impacto sobre alimentação, educação, proteção de mulheres e prevenção de doenças. Ele também criticou os gastos militares anuais, que somam quase US$ 3 trilhões, enquanto países em desenvolvimento transferem US$ 1,4 trilhão por ano em serviço da dívida.
O chefe de Estado brasileiro defendeu um sistema financeiro internacional que não obrigue países a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Também citou mecanismos como troca de dívida por ação climática ou investimentos sociais como alternativas para ampliar o espaço fiscal dos países mais vulneráveis.
Ao tratar de tecnologia, Lula afirmou que o acesso à Inteligência Artificial e a outras tecnologias de ponta não pode ficar excluído das parcerias para o desenvolvimento. Ele defendeu que as transições energética e digital não reproduzam padrões históricos de concentração de benefícios econômicos em poucos atores.
Segundo o presidente, países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais.











