Copom reduz taxa Selic para 14,25% e mantém a corda no pescoço do brasileiro

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Queda de apenas 0,25 p.p. beneficia o capital especulativo e não alivia o orçamento das famílias, das empresas e do governo, alerta CNI

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia em apenas 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), para 14,25% ao ano.

Alegando ambiente externo “incerto” e afirmando que “o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência”, o BC, na contramão dos anseios da sociedade, decidiu manter a corda no pescoço do brasileiro com o juro real mais alto do planeta.

Como assinalou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”.

Segundo o empresário, diante do fim da agressão dos Estados Unidos contra o Irã, conforme acordo anunciado, haveria espaço para o Banco Central intensificar o ciclo de cortes da Selic.

“O provável fim do conflito já impacta na queda do preço do petróleo — elemento que vinha pressionando os custos das cadeias produtivas globais. Ao retirar o principal componente de pressão sobre a expectativa de preços e juros, há um ambiente mais favorável para uma flexibilização monetária”, ressaltou Alban.

Os juros elevados impostos pelo BC não tem alcance sobre o choques de oferta, no caso do petróleo, e nos fenômenos climáticos, que elevam os preços dos alimentos, alertam economistas.

Por outro lado, só contribui para manter o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras em níveis recordes.

“Os juros reais próximos de 10% ao ano mantêm o Brasil entre os detentores das maiores taxas de juros do mundo. Com isso, o país enfrenta grave fragilidade macroeconômica, caracterizada pelo endividamento de empresas, famílias e governo, sufocando o capital para investimento e de giro corporativo, comprimindo a renda disponível e restringindo o consumo das famílias, além de encarecer a rolagem da dívida pública”., “sufocando o capital para investimento e de giro corporativo, comprimindo a renda disponível e restringindo o consumo das famílias, além de encarecer a rolagem da dívida pública”, alerta a CNI.

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