STJ abre investigação sobre ex-governador bolsonarista de Mato Grosso em caso ligado ao Banco Master

Mauro Mendes deixou o governo de Mato Grosso em março para disputar uma vaga ao Senado - Foto: Divulgação/União Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação contra o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), para apurar suspeitas de irregularidades no credenciamento do programa de crédito consignado Credcesta, ligado ao Banco Master. A investigação foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tramita sob sigilo.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, em ‘O Globo’, a apuração busca esclarecer se houve favorecimento à instituição financeira durante a implementação do programa em Mato Grosso, em 2023. O caso é um desdobramento das investigações que vêm sendo realizadas em diversos estados sobre a expansão das operações do Banco Master junto a servidores públicos por meio de linhas de crédito consignado.

De acordo com a investigação, em 5 de maio de 2023 o governo estadual editou um decreto criando uma margem consignável exclusiva para cartões de benefícios destinados a servidores e pensionistas. Três dias depois, o Banco Master solicitou autorização para operar o Credcesta no estado. O credenciamento avançou rapidamente e foi oficializado em junho daquele ano, com validade até 2028. A velocidade do processo é um dos pontos que despertaram o interesse dos investigadores.

Outro aspecto analisado envolve uma viagem de Mauro Mendes a Nova York, realizada no período em que o credenciamento do programa estava em tramitação. As investigações apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também estava na cidade na mesma época. Embora Mendes não apareça nos trechos divulgados dos relatórios da Polícia Federal, a coincidência temporal passou a integrar o contexto examinado pelas autoridades.

Em nota, Mauro Mendes negou qualquer irregularidade. O ex-governador afirmou que todos os atos de sua gestão seguiram os princípios da legalidade e da eficiência administrativa. Ele também sustentou que diversas outras instituições financeiras foram credenciadas pelo governo estadual e que o modelo adotado já existia em outros estados brasileiros.

A investigação ocorre em um momento de intensa movimentação política em Mato Grosso. Mendes deixou o governo estadual neste ano para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A abertura do procedimento no STJ adiciona um novo elemento ao cenário eleitoral e pode ampliar o debate sobre a relação entre governos estaduais e instituições financeiras envolvidas na oferta de crédito consignado para servidores públicos.

O Credcesta também é alvo de questionamentos judiciais por parte de sindicatos de servidores. Entidades representativas alegam que milhares de trabalhadores foram submetidos a contratos que resultaram em elevado grau de endividamento, enquanto advogados que acompanham o caso apontam possíveis irregularidades na forma como o programa foi implementado. Essas denúncias integram um conjunto mais amplo de investigações sobre as operações do Banco Master em diferentes unidades da federação.

Até o momento, não há acusação formal contra Mauro Mendes. A investigação encontra-se em fase inicial e busca reunir elementos para determinar se houve favorecimento indevido, tráfico de influência ou outras irregularidades relacionadas ao credenciamento do programa de consignado em Mato Grosso.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *