Flávio Rachadinha diz na Argentina que Brasil tem que fazer parte do ‘quintal’ dos EUA

Flávio Bolsonaro e Javier Milei são bajuladores de Trump (Foto: reprodução)

Esta posição bajulatória a Trump é a mesma de Milei e é combatida pelo presidente Lula que afirma que o Brasil é grande demais para caber no quintal de qualquer outro país

Flávio Bolsonaro afirmou na noite de domingo (28), durante viagem à Argentina, que o Brasil tem que fazer parte do quintal dos Estados Unidos. “Somos a peça que falta nesse mapa”, disse o candidato fascista, ao se encontrar com Javier Milei. Esta é uma posição contrária a de Lula que afirma que o Brasil é muito grande e não será quintal de ninguém.

O presidente argentino, envolvido em escândalo de corrupção que derrubou seu chefe de gabinete por enriquecimento ilícito, recebe o senador brasileiro em sua residência nesta segunda-feira (29). Coincidentemente, Flávio também está envolto num escândalo de corrupção gigantesco no Brasil depois de ser flagrado pedindo uma quanti milionária ao banqueiro ladrão, Daniel Vorcaro, que está preso. A corrupção, portanto, é um primeiro ponto de contato entre os dois políticos.

O outro ponto é o entreguismo. Flávio Bolsonaro já tinha ido ao Texas, numa outra reunião com grupos de extrema-direita alinhados a Trump, e ofereceu entregar todas as riquezas minerais brasileiras aos EUA, principalmente as terras raras que o governo Trump busca obter em sua guerra tecnológica com a China. Milei também já se arreganhou para Trump. O político brasileiro também ofereceu negociar o PIX com os EUA. É que Trump é contra o PIX porque ele é de graça para os brasileiros e isso, segundo o chefe da Casa Branca, estaria atrapalhando os lucros das empresas americanas Visa e Mastercard.

Agora, Flávio vai a Argentina e repete a intenção de submeter o Brasil aos interesses dos EUA. O pré-candidato disse que, se vencer a eleição, o Brasil entrará imediatamente para o “Escudo das Américas” lançado por Trump em março. Esse “escudo” pretende afastar o Brasil do resto do mundo. Sendo que o objetivo principal de Flávio, ao bajular os EUA, é afastar o principal parceiro comercial do Brasil, a China. Quem vai sair perdendo com mais essa traição é o agro brasileiro, que exporta boa parte de sua produção para o país asiático. Flávio defende tudo isso para beneficiar os produtores americanos.

A identidade de Flávio com Milei não é só porque os dois são bajuladores de Trump e estão envolvidos em escândalos de corrupção. Milei destruiu a economia argentina, demitiu milhões de trabalhadores, elevou a pobreza no país vizinho a níveis nunca vistos. Flávio acha isso o máximo. Já anunciou que pretende destruir a Petrobrás, fazer cortes drásticos nos serviços públicos, prejudicar aposentados, além de favorecer banqueiros como seu padrinho Daniel Vorcaro.

Os escândalos de corrupção também derrubaram igualmente os dois políticos nas pesquisas. Milei acaba de perder seu chefe de gabinete, Manuel Adorni, acusado e investigado pela Justiça por enriquecimento ilícito. Esse e outros escândalos – além da crise social provocada por um ajuste fiscal brutal – custaram a Milei a derrocada nas pesquisas. Exatamente o que ocorreu com Flávio Bolsonaro, depois que ele foi flagrado pedindo R$ 134 milhões ao dono do Master que deu um golpe de mais de R$ 50 bilhões no país.

Outro fato que une os dois políticos, além da corrupção, são ligações com o narcotráfico. Flávio Bolsonaro já tinha ligações antigas com as milícias e grupos de extermínio. Homenageou o chefe de uma das principais milícias do rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega, assassino profissional. Abrigou em seu gabinete a mãe e a mulher do criminoso, quando era deputado estadual no Rio. Milei também também estimula grupos de extermínio, como os de El Salvador.

Agora, mais recentemente, observou-se que as ligações da Flávio não eram só com as milícias, mas também com as facções criminosas, particularmente com o Comando Vermelho (CV), uma facção do Rio de Janeiro. Ele indicou dois secretários no governo Cláudio Castro que estão presos por trabalharem para o CV. São eles o ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena e o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca. Flávio também apoiou o ex-presidente do legislativo, Rodrigo Bacellar, preferido do senador para disputar o governo do estado, e que também está preso por trabalhar para o Comando Vermelho.

É por isso que Flávio pediu a Trump para classificar as facções criminosas como organizações terroristas internacionais. Aparentemente seria para combatê-las, mas a verdade é outra. O objetivo é enfraquecer a ação da Polícia federal no combate ao crime organizado. No final é para beneficiar as facções. Na opinião de Lincoln Gakiya, Promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), jurado de morte pelo PCC, a classificação enfraquece o intercâmbio entre as polícias no combate ao crime organizado.

Ao passar as ações contra essas organizações para a órbita da CIA e do Exército americano, tudo passa a ser sigiloso, alerta o promotor. Gakiya também adverte para a ameaça de invasões do território brasileiro pelos EUA sob o pretexto de combater essas organizações. Tanto Flávio como Milei apoiam essa intenção dos EUA de colocarem essas facções no âmbito da CIA, isto é, abrir espaços para, a retexto de combater o narcotráfico, propiciar intromissões indevidas nos assuntos dos países da América Latina

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