Trump é processado por venda de informação privilegiada

Trump é denunciado por corrupção em ritmo acelerado (Reddit)

Cobrança por acesso antecipado a postagens de Trump que manipulam mercado é esquema “flagrantemente corrupto”, dizem a Fundação pela Liberdade de Imprensa e The Intercept em ação contra Trump

A Fundação pela Liberdade de Imprensa (FPF, na sigla em inglês) e o portal de internet The Intercept entraram com uma ação na Justiça dos Estados Unidos para impedir que a Truth API, um braço da rede social de Trump, Truth Social, venda informação privilegiada a empresas de Wall Street que, por uma ‘assinatura’ mensal de US$ 100.000, terão acesso antecipado às postagens do presidente, desde as tarifas à guerra do Estreito de Ormuz, podendo usar as proclamações e recuos da Casa Branca para ganhos extraordinários na bolsa e nos mercados de câmbio e de petróleo.

Como a própria Truth API se gabou, no “lançamento” do seu link de dados de alta velocidade: “acesso direto, licenciado e em tempo real” às postagens “mais impactantes e que moldam o mercado”.

No processo, a FPF e The Intercept contestam a legalidade da Truth API, que descrevem como “profundamente corrupta”, dado que “o presidente [Trump] tem a ganhar financeiramente ao fornecer informações governamentais ‘que movimentam o mercado’ para aqueles que estão dispostos e capazes de pagar sua empresa pessoal.”

Ben Muessig, editor-chefe do The Intercept, acusou o presidente de “tentar se enriquecer privatizando informações governamentais que ele não tem direito de vender”, enquanto prometia que “não vamos deixar isso assim.”

David Bralow, diretor jurídico do The Intercept, disse que “nada poderia ser mais antitético à imprensa livre e independente do que o presidente cobrando por acesso antecipado a seus anúncios públicos”, enfatizando que “informações públicas pertencem ao público.”

“A comercialização do acesso antecipado a essas mensagens criam novas dinâmicas na relação entre a comunicação presidencial, os mercados financeiros e a mídia digital”, alegou um analista especialmente cínico na defesa da corrupção de Trump.

ESSÊNCIA DEPRAVADA

Para o deputado democrata Jamie Raskin, “esse ciclo de feedback Casa Branca-Wall Street-Trump-Negócios representa a essência depravada do uso de informação privilegiada”.

“O presidente dos Estados Unidos deveria usar o cargo para ‘garantir’ que as leis sejam aplicadas e para promover o interesse público”, disse ele, apontando para a Constituição dos EUA. “Em vez disso, o presidente Trump está, mais uma vez, usando isso para enriquecer de forma espetacular a si mesmo, sua família e seus companheiros corporativos, ao mesmo tempo em que destrói a integridade dos mercados financeiros no processo.”

Ele denunciou que a Trump Media pretende vender acesso antecipado às chamadas mensagens ‘Verdade’ do presidente Trump para “as firmas de investimento mais sofisticadas do mundo”.

“Esse esquema de informação privilegiada permitirá que filiadas à Wall Street lucrem com as frequentes publicações do presidente que movimentam o mercado sobre grandes empresas e lucre com as oscilações nos preços das ações causadas pela compra e venda (ou bombeamento e dumping, se preferir) de ações cotadas publicamente pelo presidente para investidores de varejo desavisados.”

“Quase metade de cada taxa [de US$100.000] iria diretamente para o bolso de Donald Trump, que detém cerca de 41% das ações da empresa por meio de um fundo que ele continua controlando.”

PREJUÍZO IRREPARÁVEL PARA PEQUENOS INVESTIDORES E APOSENTADOS

Assim que o novo serviço estiver em funcionamento, “sempre que o presidente Trump usar o Truth Social para anunciar que um cessar-fogo é iminente, ou vazar prematuramente dados de empregos nos EUA, seus clientes poderão agora antecipar o mercado usando seu acesso privilegiado às postagens nas redes sociais, deixando irreparavelmente prejudicados investidores de varejo, planos de pensão e contas de aposentadoria“, alertou Raskin.

O que isso significa pode ser dimensionado por postagens como a do “Dia da Libertação”, a da instauração das tarifas no ano passado, que provocou uma queda de 12% nas bolsas globais. Ou o recuo da “parada de 90 dias”, que empurrou o pregão abruptamente para cima.

“O novo serviço da empresa [Truth API] ameaça minar a integridade dos mercados de capitais” e a atual administração “é a mais corrupta da história do país”, sublinharam os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff. Em carta ao presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, Paul Atkins, eles exigiram a imediata abertura de investigação da trama.

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