Veio a público mais um escândalo de corrupção envolvendo a gestão do bolsonarista Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro. Uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) revelou a existência de milhares de servidores comissionados que não exerciam suas funções ou sequer registravam presença em repartições estaduais, num esquema que pode ter consumido R$ 16,7 milhões por mês dos cofres públicos.
O caso mais grave foi identificado na Secretaria de Trabalho e Renda, onde 80% dos cargos de confiança eram ocupados por funcionários considerados fantasmas. O levantamento apontou ainda índices superiores a 50% de ausência de servidores nas secretarias de Esporte e Lazer, Turismo, Agricultura, Ciência e Tecnologia, Assistência Social e Casa Civil. Nas pastas da Saúde e do Desenvolvimento Social, quatro em cada dez comissionados não registravam presença.
Até o momento, apenas 20 dos 78 órgãos estaduais passaram por auditoria, o que indica que a dimensão do problema pode ser ainda maior. Desde março, quando o desembargador Ricardo Couto assumiu interinamente o governo do estado, mais de quatro mil comissionados foram exonerados. A estimativa é que o número de demissões chegue a seis mil até o fim do ano, gerando uma economia superior a R$ 230 milhões.
A revelação reforça um padrão já conhecido da administração de Cláudio Castro. Sua gestão já havia sido alvo de investigações sobre a criação de milhares de cargos fantasmas na Fundação Ceperj, órgão estadual responsável por programas e projetos da administração pública, e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Em ação que tramita na Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral sustenta que cerca de 27 mil contratações temporárias foram utilizadas para abastecer uma estrutura de cabos eleitorais e favorecer a campanha de reeleição de Castro em 2022.
Segundo o MPE, o esquema movimentou aproximadamente R$ 248 milhões em recursos públicos e desequilibrou o processo eleitoral. A denúncia afirma que os contratados recebiam pagamentos em dinheiro vivo e que não havia controle efetivo sobre os serviços prestados. O órgão também aponta que as contratações ocorreram sem critérios claros, com casos de pagamentos a pessoas de outros estados e até a indivíduos presos.
O novo relatório, portanto, indica que a prática dos chamados “funcionários fantasmas” não se limitou ao escândalo da Ceperj, mas se espalhou por diferentes áreas da administração estadual, revelando um método de aparelhamento e de uso político da máquina pública.
Em nota, Cláudio Castro tentou se desvincular das irregularidades. O ex-governador afirmou que “a nomeação, a distribuição de funções e o acompanhamento direto dos servidores comissionados são responsabilidades dos secretários e das chefias de cada pasta” e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas individualmente.
A justificativa, no entanto, contrasta com a sucessão de denúncias envolvendo cargos fantasmas ao longo de sua gestão e aprofunda a crise política em torno do ex-governador, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade até 2030 por abuso de poder político e econômico relacionado ao uso da estrutura do Estado em benefício eleitoral.











