Sob cobiça de Trump, Lula propõe estender PIX a toda América do Sul

Lula discursa na Cúpula do Mercosul (Foto: Ricardo Struckert/PR)

“Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos, que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul”, defendeu o presidente

O presidente Lula sugeriu, nesta terça-feira (30), em discurso na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que o sistema de pagamento eletrônico brasileiro, o PIX, seja estendido para toda a região.

Segundo ele, a arquitetura do sistema brasileiro pode servir de base para uma infraestrutura regional de pagamentos e beneficiar o bloco “Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos, que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul”, defendeu Lula.

O presidente defende o PIX contra os ataques do chefe da Casa Branca, Donald Trump, que é contra o PIX porque ele é gratuito para o povo brasileiro. Segundo ele, o PIX estaria prejudicando os gordos lucros das empresas americanas Visa e Mastercard, que cobram altas taxas por seus serviços no Brasil.

Lula reafirmou que o Brasil não abre mão desta conquista. “O PIX, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital”, argumentou o presidente, que tem denunciado as pressões americanas e a traição da família Bolsonaro, que prometeu a Trump “negociar” suas exigências pelo fim ou a taxação do PIX..

No discurso Lula argumentou que a integração financeira pode reduzir custos, estimular o comércio entre os países do bloco, ampliar o uso de moedas locais e aumentar a proteção regional diante de crises internacionais. O líder brasileiro também associou a agenda digital à necessidade de o Mercosul agir de forma conjunta em um cenário marcado por instabilidade geopolítica, protecionismo e fragmentação da economia mundial.

Ao defender o fortalecimento do bloco, Lula disse que o Mercosul deve ser visto como instrumento estratégico em um ambiente internacional mais instável. “Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”, declarou. Segundo ele, desde a criação do Mercosul, o comércio entre os países membros passou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 50 bilhões em 2025. O presidente também afirmou que, no ano passado, o intercâmbio do bloco com o restante do mundo cresceu mais de 100% em relação a 2024 e chegou a quase US$ 770 bilhões.

“Hoje nos confrontamos com uma região e mundo profundamente transformados. Rivalidades geopolíticas crescem, o unilateralismo ganha força. Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global e elevam os preços dos alimentos e da energia”, afirmou Lula. Ele destacou que o Brasil está pronto para apoiar o lançamento do Focem 2 e aumentar sua contribuição ao fundo com aporte de US$ 100 milhões anuais ao longo de uma década. O presidente também defendeu a incorporação da Bolívia ao mecanismo como forma de reduzir assimetrias dentro do bloco.

Sobre a infraestrutura, Lula citou o programa Rotas da Integração Sul-Americana, voltado a conectar o interior do continente a portos no Pacífico, no Atlântico e no Caribe. Ele também apontou a hidrovia Paraguai-Paraná como um dos pilares da integração regional, com transporte anual de quase 100 mil toneladas de cargas.

O chefe do governo brasileiro também defendeu maior cooperação em torno de minerais críticos, considerados essenciais para a descarbonização e para a revolução digital. Segundo ele, desenvolver cadeias regionais com etapas de maior valor agregado é “uma questão de segurança nacional e soberania”.

O presidente mencionou o Mapa do Caminho para o Plano de Minerais Críticos do Mercosul, apresentado pelo Paraguai, como ponto de partida para reforçar a autonomia estratégica dos países do bloco. Ele afirmou que a região ainda precisa construir um mapeamento comum de seu potencial e diagnósticos sobre projetos que podem ser desenvolvidos conjuntamente.

Na parte final do discurso, o presidente Lula relacionou a transformação digital à defesa da soberania regional. “Agir como bloco nos fortalece frente a ameaças do colonialismo digital”, afirmou. Para o presidente, os países do Mercosul podem ser mais do que fontes de dados, matérias-primas e mercados consumidores para empresas de tecnologia.

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