Tariflávio trama para EUA tarifar o Brasil após a eleição. Trump decidirá até o próximo dia 15 se vai aplicar as novas tarifas comerciais de 25% sobre vários produtos brasileiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou de forma veemente o presidenciável do clã Bolsonaro por pedir aos Estados Unidos para adiar até depois das eleições de outubro uma eventual aplicação de novas tarifas ao Brasil.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da pátria”, publicou Lula no X, após o “01” de Bolsonaro pedir ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a suspensão da aplicação das tarifas.
“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, acrescentou o presidente.
É isso mesmo, leitor: Flávio Bolsonaro não condenou a nova ameaça do atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump, de aplicar novas tarifas comerciais de 25% sobre produtos brasileiros, o que, segundo informações do governo norte-americano, será decidido até o próximo dia 15, preferindo solicitar, sob o tom vassalo de sempre, que as medidas contra o Brasil, sua economia, suas empresas e seus empregos, sejam tomadas depois do pleito presidencial.
O candidato da extrema-direita, que está derretendo pouco a pouco nas pesquisas, entre outras razões, pela subordinação canina ao governo dos EUA, tem medo que o novo tarifaço estimule ainda mais sua desidratação eleitoral.
Não é por menos, até porque, a onda dos ataques comerciais ao Brasil foi, desde o início dessas ameaças, reivindicada e insuflada pelos bolsonaristas, quando o irmão de Flávio, Eduardo, instalou-se nos EUA para instigar Trump e seus asseclas a promover ações contra a economia nacional, esperando que isso poderia afetar o governo brasileiro. No entanto, o tiro saiu pela culatra.
Após receber Lula em maio, Trump reuniu-se, posteriormente, com Flávio e o elogiou. Dias depois, os Estados Unidos designaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), os dois maiores grupos brasileiros ligados ao narcotráfico, como organizações terroristas e anunciaram as possíveis tarifas, duas medidas criticadas de modo contundente pelo governo brasileiro.
“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna”, escreveu cinicamente Flávio Bolsonaro em um documento enviado ao USTR.
A narrativa bolsonarista, no entanto, não tem qualquer fundamento na medida em que se choca flagrantemente com a realidade: quem tem obstruído “negociações sérias” é o governo americano, comandado pelo neofascista Donald Trump, mesmo diante do fato de que a balança comercial com os EUA é deficitária para o Brasil, o que não justifica as sobretarifas impostas unilateralmente pela Casa Branca.
O capacho escreveu, ainda, que, havendo novo tarifaço, o governo brasileiro “provocará retaliações”, admitindo que Lula tratará as medidas com base no critério da reciprocidade, cujos parâmetros estão contidos em legislação específica aprovada pelo Congresso Nacional.
Trata-se de um ato confesso pelo qual, fosse ele o mandatário, apoiaria ou nada faria frente às agressões comerciais dos EUA ao Brasil. Vassalagem doentia de fazer inveja aos serviçais mais empedernidos.
Flávio sugeriu o adiamento da “implementação (das novas tarifas) para depois das eleições”, pois isso, segundo ele, evitaria que o tarifaço fosse interpretado “como uma tentativa de influenciar o resultado” da votação.
Ele disse que participará, no próximo dia 6, de uma audiência pública do USTR para “defender o Brasil” da imposição das tarifas, acrescentou o dissulado, quando o país inteiro está testemunhando que a defesa do país e dos seus interesses econômicos frente às recorrentes ameaças de Trump está sendo encabeçada pelo governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula.
Se dependesse do representante do bolsonarismo nessas eleições, o Brasil já teria se transformado no 51º estado norte-americano e o Palácio do Planalto numa filial da Casa Branca.
MARCO CAMPANELLA











