Flávio Bolsonaro derrete no eleitorado feminino

Charge Aroeira/247 (reprodução)


ALTAMIRO BORGES

O vídeo bombástico de Michelle Bolsonaro, afirmando que foi “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado, e o vídeo nojento do jagunço bolsonarista Paulo Figueiredo, dizendo que mulher não sabe votar, estão produzindo estragos na campanha do fascista à presidência da República. Matéria de Daniela Lima no site UOL nesta sexta-feira (3) relata que “monitoramentos diários de eleitores feitos para políticos e agentes do mercado financeiro detectaram a ampliação do fosso entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o voto feminino após a briga pública entre ele e a madrasta, Michelle, e a declaração misógina do aliado Paulo Figueiredo”.

A jornalista teve acesso às sondagens, aos chamados trackings. “No último dia 29, segunda-feira, a rejeição de Flávio entre as mulheres bateu 55%. Em 19 de maio, o patamar era dez pontos menor: 45%. O levantamento, que passou a ser feito diariamente, também mostrou recuo nas intenções de voto do senador no público feminino. Enquanto Lula, no início da semana, marcava 43%, Flávio chegou a 24%. Em maio, ele marcava 30% neste segmento do eleitorado”.

O tracking é usado tanto por estrategistas de campanhas quanto por agentes do “deus-mercado” para antecipar a tendência dos eleitores. “De menor assertividade para valorar candidaturas, ele serve muito para monitorar movimentos de queda ou elevação da aceitação de propostas durante as disputas eleitorais. Daí o alerta para o pré-candidato do PL. Em especial porque a semana, nessa seara, não terminou melhor do que havia começado”, explica Daniela Lima.

MICHELLE BOLSONARO SE PROJETOU NO PL-MULHER

Apesar das negativas do primogênito do ex-presidente condenado e preso, os estragos causados em sua campanha são inevitáveis – e ainda serão melhor mensurados nas próximas pesquisas. O certo é que Michelle Bolsonaro tem forte ascendência em dois estratos fundamentais para o pré-candidato da ultradireita: o eleitorado feminino e o eleitorado evangélico. Na semana passada, a ex-primeira-dama deixou o comando nacional do PL-Mulher e fez questão de mostrar sua força.

Como aponta balanço do site Metrópoles, “mais de 72 mil mulheres se filiaram ao Partido Liberal (PL) durante o período em que Michelle Bolsonaro comandou o PL-Mulher. A ex-primeira-dama assumiu a presidência do braço feminino da legenda em 2023 e passou a concentrar esforços na ampliação da participação feminina na sigla, tanto em filiações quanto em candidaturas. Dados obtidos pelo Metrópoles mostram que o PL encerrou 2025 com 397 mil mulheres filiadas. Desse total, aproximadamente 72 mil ingressaram no partido entre março de 2023 e maio de 2026”.

EX-PRIMEIRA-DAMA TEM CAPITAL POLÍTICO PRÓPRIO

Além do crescimento no número de filiadas, o PL ampliou a presença feminina nas urnas. Segundo levantamento do site, 1.005 mulheres foram eleitas pela sigla nas eleições municipais de 2024. Após a conclusão do processo eleitoral, 995 permaneceram nos cargos: 849 vereadoras, 85 vice-prefeitas e 61 prefeitas. “Os resultados são atribuídos, por dirigentes do partido, ao trabalho desenvolvido por Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher. A ex-primeira-dama percorreu estados e municípios para fortalecer lideranças femininas e costuma destacar que estruturou diretórios do movimento nos 26 estados e no Distrito Federal”.

“Aliados da ex-primeira-dama afirmam que os resultados obtidos à frente do PL Mulher reforçam que ela possui capital político próprio, independentemente do apoio da família Bolsonaro. Antes da escolha de Flávio como pré-candidato ao Planalto, Michelle figurava entre os principais nomes cogitados para disputar a Presidência, hipótese descartada repetidas vezes pelo próprio marido. Ela também era tratada como uma das principais apostas do PL para disputar vaga no Senado pelo Distrito Federal, onde construiu sua trajetória política”. Após as recentes tretas, “ela indicou que poderá desistir da candidatura”. Ou seja: o estrago ainda poderá ser bem maior. A conferir!

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