Mais um aliado de Flávio Bolsonaro no Rio é alvo da PF por lavagem de dinheiro

Flávio Bolsonaro (Foto: Alessandro Dantas /Agência Senado) e Márcio Canella (Foto: reprodução de redes sociais)

Candidato ao Senado lavava dinheiro em postos de combustíveis. Márcio Canella é ex-prefeito de Belford Roxo e atual presidente estadual do União Brasil. “Apoio integral e 100% ao amigo”, disse Flávio em vídeo de apoio ao investigado

As ligações de Flávio Bolsonaro com as milícias e a criminalidade do Rio de Janeiro ganharam mais um capítulo nesta terça-feira (7). O candidato ao senado apoiado por ele, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e atual presidente estadual do União Brasil, foi alvo de mandados de busca e apreensão na sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal.

A investigação da Polícia Federal apura a atuação de uma organização criminosa que usa postos de combustíveis para lavar dinheiro com a participação de agentes públicos. Segundo a PF, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos 6 anos. O valor consta de relatório de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviado à corporação.

Em um vídeo recente, publicado nas redes sociais, o pré-candidato do PL à Presidência pede “apoio integral e 100%” ao “amigo”. “É uma pessoa competente, que sabe trabalhar e que vai estar com a gente nessa missão de resgatar o nosso Brasil, nos ajudando aqui no Rio de Janeiro”, afirmou.

Policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e Rio de Janeiro. A operação também inclui o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

A sexta fase da operação Unha e Carne tem como base as listas apreendidas de Adilson Oliveira, contraventor do jogo do bicho conhecido como Adilsinho, com mais de 20 políticos enumerados. Essa investigação já levou à prisão os políticos Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.

Outro alvo da PF é o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio. Também está sendo investigado o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que agia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

As investigações começaram com um relatório de inteligência enviado à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento apontou que o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos 6 anos. “Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, disse a PF.

A Operação Unha e Carne teve 5 fases desde dezembro de 2025 e apurava, no início, vazamentos de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Segundo a PF, os dados sensíveis compartilhados teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa.

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