Aliado de Flávio ataca o voto feminino seguindo o fascismo trumpista

Eduardo, Paulo Figueiredo, Marco Rubio (secretário de estado dos EUA) e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução - Instagram)

A fala do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo de que as mulheres “votam mal” e deveriam aprender com os homens gerou uma onda de ataques, na internet, contra o direito das mulheres de votarem. Essa pauta também é defendida, nos Estados Unidos, por trumpistas.

Para Figueiredo, “mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não”.

O blogueiro, que fez carreira por ser neto do ex-ditador João Figueiredo, depois contou que combinou com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que o candidato rejeitasse essa fala.

Um levantamento feito pelo Instituto Democracia em Xeque e encomendado pelo jornal O Globo mostra que o ataque de Paulo Figueiredo ao voto feminino carregou 38% da discussão sobre o tema entre 27 de junho e 3 de julho, enquanto 45% do público que participou das discussões era bolsonarista.

A diretora de pesquisa do instituto, Letícia Capone, explicou que os discursos extremistas e machistas têm infiltração nos perfis “radicalizados nas redes sociais”.

“Os discursos que carregam mais peso de misoginia acabam circulando por perfis mais radicalizados, perfis que já têm um histórico e uma tendência de se posicionar contra mulheres, contra o movimento feminista”, disse.

Além disso, a influenciadora bolsonarista Pietra Bertolazzi defendeu explicitamente o fim do voto feminino. Ela tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram.

Em um programa em que deveria dizer se era a favor ou contra determinados temas, foi perguntada sobre o voto feminino: “Contra”, assinalou.

Questionada pelos seguidores nas redes sociais, disse: “o que eu defendo é uma monarquia católica confessional”.

A posição contrária ao voto feminino é semelhante àquela defendida por setores religiosos do trumpismo. Nos EUA, esses grupos dizem defender o “sistema de votação familiar”, no qual o chefe da família, isto é, o homem, decide pelo voto da família.

Segundo esses grupos, as mulheres devem ter um papel na sociedade de subordinação ao homem.

Posições como essa são defendidas abertamente por influenciadores da extrema-direita norte-americana, como Nick Fuentes. Em uma entrevista, ele disse que eliminaria o direito ao voto de “muita gente. Mulheres, com certeza”.

“As mulheres estão votando nas pessoas erradas, estão votando nas pessoas que estão acabando com o país. Então, de algum jeito, elas estão acabando com o país com seus votos”, disse em seu programa.

“A gente precisa consertar o sistema de votação e tirar alguns votos”, completou, defendendo que somente donos de terra e homens deveriam ter esse direito.

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