Flávio Bolsonaro trabalhou contra o Brasil nos EUA, denunciou o governo brasileiro

Flávio ajudou Trump a atacar o Brasil (Fotos: reprodução de redes sociais)

Além do governo, setores empresariais que participaram da audiência nos EUA demonstraram incômodo com o comportamento servil do senador

O governo brasileiro afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou contra os interesses do país ao participar, nos Estados Unidos, de uma audiência pública sobre a possível imposição unilateral de tarifas adicionais a produtos brasileiros.

Em nota divulgada nesta terça-feira (7), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República repudiou a intervenção do candidato bolsonarista e acusou o senador de tentar transformar uma discussão comercial em manobra político eleitoral.

O Planalto destacou que Flávio Bolsonaro não defendeu o Brasil diante das autoridades estadunidenses. Segundo o governo, o senador facilitou a vida de Trump ao evitar se posicionar contra o tarifaço. Ele preferiu sugerir o adiamento da medida em razão da proximidade da eleição presidencial brasileira, marcada para outubro.

Representantes do setor privado brasileiro também revelaram descontentamento com o comportamento de Flávio Bolsonaro na audiência em Washington (EUA). Os participantes do evento discutiram o tarifaço de 25% que o governo do presidente estadunidense, Donald Trump, quer impor contra o Brasil. De acordo com empresários que acompanharam os painéis, o senador da extrema direita brasileira adotou um discurso político em um ambiente considerado técnico.

“As discussões são muito técnicas. Ele está em ambiente deslocado”, afirmou um interlocutor, segundo informa o jornal Estadão. Para representantes de instituições privadas, a fala do senador ficou “deslocada do ambiente”.

O governo foi duro ao apontar que há uma diferença essencial entre fazer oposição ao Palácio do Planalto e agir contra o país. “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.

O Planalto também acusou Flávio Bolsonaro de legitimar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para pressionar comercialmente o Brasil. “Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, afirmou a Secretaria de Comunicação.

O governo rebateu todos os pontos levantados pelo senador e destacou o PIX. Segundo o governo, Flávio e sua família tentaram alterar o discurso sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. A Secom afirmou que depois de ataques feitos ao longo do último ano, o senador agora tenta passar a imagem de defensor do PIX, mas ainda propõe subordiná-lo aos interesses estadunidenses.

Na sequência da audiência, o governo ressaltou que mantém negociações com os Estados Unidos desde julho de 2025 para tentar reverter tarifas consideradas injustificadas. A estratégia envolve reuniões técnicas, cartas, telefonemas e encontros de alto nível para demonstrar que as medidas não têm fundamento.

Confira a íntegra da nota do governo

O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil.

Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor.

Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.

Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país.

O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.

O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes.

Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.

Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários.

Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.

O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.

Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.

Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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