“Não queremos vender só matéria-prima. Vamos processar nossas terras raras”, diz Lula

Chefe do Executivo quer o Brasil produzindo e processando terras raras (Foto: Tânia Rêgo - Agência Brasil)

“É isso o que o governo quer propor à sociedade brasileira”, afirmou o presidente, sobre o controle nacional das terras raras

O presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira (10), que o Brasil tem muita capacidade de explorar e processar suas terras raras. Ele disse que achava que Brasil era “quase que analfabeto” nessa temática. Mas que passou a avaliar que o Brasil tem “capital intelectual e uma estrutura institucional muito superior ao que imaginava inicialmente”.

“Eu fico boquiaberto de ver quanto conhecimento sobre minerações críticas e terra rara está em volta dessa mesa”, afirmou Lula, durante reunião ministerial. “Nessa reunião ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas que parecem uma coisa só da China, obcecada a ser a única do mundo e da inveja do Trump de querer tomar o conhecimento da China”, acrescentou o presidente.

“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentores de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz. Nós não queremos ser vendedores de matéria-prima, nós queremos ser exportadores de inteligência, de conhecimento”, destacou o presidente da República.

Lula deu a declaração em reunião com ministros do governo e especialistas para discutir a política brasileira para os minerais críticos. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e teve como foco a exploração desses recursos.

O presidente avaliou que o principal entrave para que o Brasil ocupe uma posição de destaque no mercado global de terras raras não é a falta de recursos ou de capacidade científica, mas sim a ausência de direcionamento estratégico. “A gente fica pensando o que é que falta para nós, falta uma decisão política, falta uma decisão de governo, o que o governo deseja que aconteça nesse país e o que o governo quer propor à sociedade brasileira”, apontou o chefe do Executivo.

Lula voltou a defender que o Brasil amplie a participação na cadeia produtiva dos minerais críticos. Segundo o presidente, o país não deve se limitar à exportação da matéria-prima, mas investir no processamento e na industrialização desses recursos em território nacional.

As terras raras e os minerais críticos são insumos fundamentais para a transição energética global e para a fabricação de tecnologias avançadas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e equipamentos de defesa. A discussão sobre soberania mineral tem ganhado força na agenda geopolítica internacional diante da disputa comercial e tecnológica entre potências como Pequim e Washington.

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