Trabalhadores rechaçam “destruição do setor científico nuclear argentino” por Milei

Mobilizações alertam para gravidade das demissões de cientistas e técnicos de "impossível substituiição” (ATE)

“Demissões estão paralisando áreas estratégicas e colocando em risco todo o desenvolvimento nuclear do nosso país”, denunciou o secretário-geral da Associação dos Trabalhadores do Estado, Rodolfo Aguiar

“Precisamos barrar o plano de esvaziamento e destruição do setor científico que o governo nacional está executando na Argentina. Essas demissões na Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) estão paralisando áreas estratégicas e colocando em risco todo o desenvolvimento nuclear do nosso país”.

A denúncia do secretário-geral da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), Rodolfo Aguiar, realizada na quinta-feira (9), foi feita em uma grande manifestação na sede da CNEA contra as 100 demissões de cientistas, técnicos e profissionais altamente especializados, anunciadas por Javier Milei – o mesmo governo que tem propalado que a Argentina precisa importar porque só produz “doce de leite e caneta”.

De acordo com o sindicato do setor público, a entidade convocará seus órgãos diretivos para avaliar a continuidade de um plano de ação em oposição às demissões ilegais, ao esvaziamento e ao desmantelamento de áreas-chave.

“Exigimos a imediata reintegração de todos os trabalhadores. Não estamos dispostos a aceitar um retrocesso sem precedentes em relação ao conhecimento estratégico que nosso país acumulou ao longo de décadas por meio de investimentos públicos. São pessoas que foram capacitadas ao longo dos anos e que serão impossíveis de substituir”, acrescentou Aguiar.

CNEA: PILAR DO DESENVOLVIMENTO ARGENTINO

A CNEA é um pilar do desenvolvimento tecnológico que permite à Argentina – juntamente com o Brasil e a África do Sul – ser um dos três países do Hemisfério Sul a contar com eletricidade de origem nuclear. Suas atribuições incluem gerar conhecimento e desenvolver tecnologia nuclear própria; participar do projeto e da construção de reatores, bem como da geração de energia; produzir radioisótopos e desenvolver aplicações para o diagnóstico e tratamento de doenças; capacitar cientistas, engenheiros e técnicos altamente especializados; e promover projetos estratégicos para a soberania e o desenvolvimento nacionais, entre outras.

Por meio da CNEA, a Argentina tornou-se um dos poucos países do mundo que dominam todo o ciclo do combustível nuclear e possuem capacidades próprias em todas as etapas do processo: pesquisa, exploração e extração de urânio no país; conversão de urânio em combustível nuclear em instalações argentinas; projeto e construção de reatores nucleares com tecnologia nacional; e geração de eletricidade em usinas nucleares.

“NAÇÃO E SOBERANIA SÃO DOIS LADOS DA MESMA MOEDA”

Em frente ao Centro Atômico Constituyentes, o secretário-geral da Central de Trabalhadores (CTA Autônoma), Hugo “Cachorro” Godoy, saudou a determinação da categoria em barrar a visão neocolonial diante de um governo submisso. “Este espírito de luta e patriotismo é admirável, pois os trabalhadores, a nação e a soberania são dois lados da mesma moeda. Vocês os defendem com dignidade. A unidade não é apenas um ato defensivo; é uma ação ofensiva para construir uma nação onde valha a pena viver”, enfatizou.

Conforme esclareceu o dirigente da CTA Autônoma, “este governo está entregando a pátria e busca reprimir aqueles de nós que resistem e incutir medo; no entanto, evidentemente, não está conseguindo”. “Neste exato momento, enquanto diversas organizações e trabalhadores mobilizados se reúnem aqui para lutar, também ocorrem ações na Casa de Santiago del Estero [representação oficial da província de mesmo nome em Buenos Aires] para enfrentar as demissões ordenadas pelo governo estadual. Paralelamente, no Chaco, as três centrais sindicais – as duas CTAs e a CGT – juntamente com o Movimento Camponês, mobilizaram-se para se opor às políticas de entrega e pilhagem promovidas tanto pelo governo estadual quanto pelo nacional”, acrescentou.

“Demissões visam frear nossas denúncias sobre a entrega do setor nuclear ao imperialismo”

É esse desafio que mudará a correlação de forças, enfatizou Godoy. “Por isso, devemos nos orgulhar de nossa capacidade de construir e unir. Hoje é resistência, mas essa resistência forjará a vitória para expulsar os traidores e este governo e, assim, construir uma nação emancipada”, apontou.

Rodolfo Kempf, dirigente de ATE e da CTA, cientista e trabalhador da CNEA, assinalou que o papel da caravana é também a reincorporação de todos os companheiros demitidos. “Ontem, forçaram a demissão de um dos gerentes que fundamentava todos os cargos técnicos; não deixaremos passar sem contestação essa medida de demissão – que visa nos intimidar, incutir medo e frear nossas denúncias sobre a entrega do setor nuclear ao imperialismo ianque”, condenou.

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