A Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) realizou no último fim de semana, em Fortaleza (CE), o 15º Congresso Nacional da entidade sob o tema “Organizar o povo, transformar o Brasil”. Ao final do congresso, no domingo (12), os cerca de 500 participantes vindos de 22 Estados, elegeram Antonio Pedro de Sousa, o “Tonhão’, dirigente da Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Facesp), como o novo presidente da entidade.
A chapa aclamada e única concorrente teve participação do PCdoB, PT, PDT, além de integrantes do PSB, Psol e independentes.
A abertura do evento, na Universidade Federal do Ceará (UFC), na sexta-feira, reuniu representantes do governo federal, movimentos sociais, centrais sindicais, entidades estudantis, partidos políticos e organizações internacionais em um grande ato político em defesa da democracia e da soberania, além de ressaltar o fortalecimento das políticas públicas e da participação popular como importante fator de transformação social.
O Congresso também aprovou o fortalecimento no combate à violência contra as mulheres e o feminicídio, na luta pelo fim da escala 6×1, do programa Minha Casa Minha Vida, da reforma urbana e em defesa do SUS.
Ao abrir o Congresso, Getúlio Vargas Júnior, que dirigiu a entidade nos últimos oito anos, destacou a importância do trabalho coletivo das lideranças comunitárias espalhadas por todo o Brasil.
“Quem aqui luta desde a sua associação de moradores para fortalecer o SUS? Para garantir o Minha Casa Minha Vida, para levar as políticas sociais para as nossas comunidades? Isso não se faz sozinho, isso só se faz em grupo, coletivamente”, afirmou.
Em sua fala, Tonhão afirmou que a principal tarefa da Conam continua sendo organizar as lideranças comunitárias para defender os interesses da população, e destacou a importância de ampliar a participação da juventude e fortalecer a luta em defesa da soberania, da democracia e das políticas públicas. “Aqui não existe um iluminado que vai resolver todos os problemas da luta comunitária no Brasil”, disse.
“Nós precisamos trazer a juventude para dentro da Conam. Nós precisamos trazer esses jovens que estão dispostos a lutar, que querem também construir melhores dias para si e para suas famílias e para que tenha mais políticas públicas”, ressaltou.
REPRESENTAÇÕES
Entre as autoridades e lideranças presentes na abertura do Congresso estavam a secretária de Participação Social da Presidência da República, Isadora Brito; a ouvidora-geral do SUS, Maria Eufrásia de Paula (Zizia); a presidenta nacional em exercício do PCdoB, Nádia Campeão; representantes da prefeitura de Fortaleza, o ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto; o coordenador do movimento Saúde pela Democracia, Ronald Santos; o dirigente nacional do PDT, Jordaci Matos; representantes da CTB, UNE, UJS, UBM e da Aliança Internacional de Habitantes.
Participaram ainda, por vídeo, representantes da Caixa Econômica Federal e Germana Pires, representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, ausente por luto.
“Não existe desenvolvimento verdadeiro sem justiça social, sem democracia e sem participação ativa da sociedade”, afirmou Isadora Brito, representando a Secretaria-Geral da Presidência da República, corroborada pela representante da ministra Luciana Santos, quando ressaltou que “não existe desenvolvimento verdadeiro sem justiça social, sem democracia e sem participação ativa da sociedade”, disse Germana.
Representando o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT-CE), o secretário municipal do Desenvolvimento Habitacional, Jonas Dezidoro, defendeu que “a maior luta de todos nós é colocar as pessoas que mais precisam, a classe trabalhadora, no orçamento público”, defendendo as políticas habitacionais.
“O trabalho do movimento comunitário, das federações e das associações de moradores é muito duro e muito difícil. Exige muita dedicação e esse esforço de vocês tem que ser muito valorizado”, ponderou a presidente interina do PCdoB, Nádia Campeão.
“Nós temos que discutir o que o povo precisa, que momento o Brasil está vivendo, quais os perigos que corremos. Temos que sair daqui unidos para lutar pelas melhorias que o povo brasileiro merece”, salientou.
Para o coordenador do movimento Saúde pela Democracia, Ronald Santos, a Conam cumpriu um papel decisivo ao colocar o conceito de território no centro da formulação das políticas públicas. “A vida acontece no território, a vida acontece na comunidade”, disse.
O enfrentamento do feminicídio pelo movimento comunitário foi destacado pela presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM) no Ceará, Mayara Viana, e a ampliação das políticas que deem acesso à juventude à educação, cultura, esporte, lazer e ao direito à cidade foi ressaltada pelas entidades estudantis presentes.
HOMENAGEM
A entidade prestou homenagem à dirigente histórica da Facesp e da Conam, Maura Augusta, que deu nome ao Congresso deste ano, recentemente falecida.
Em sua fala, Getúlio lembrou a sua importante contribuição para o movimento comunitário, para a luta antirracista e em defesa dos direitos das mulheres, ressaltando que preservar seu legado significa fortalecer a organização popular.











